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“Em termos científicos, acho que damos uma preparação muito boa aos nossos alunos, o que lhe facilita o futuro…”



Qual a sua formação e
trajeto académico?

Sou licenciado em
Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra, exerci análises clínicas,
trabalhei em alguns locais, depois soube que havia aqui na Universidade do
Minho um mestrado em Genética Molecular inscrevi-me e posteriormente fiz doutoramento
em Ciências na ECUM tendo ficado aqui a trabalhar como docente.

 

Como caracteriza a sua
função de diretor de curso?

Tem que ser uma pessoa
que conhece bem a área científica e com conhecimento científico específico em pelo
menos algumas áreas para poder analisar e ver até que ponto as aulas estão a
correr dentro do esperado, poder detetar se os planos estão a ser cumpridos. Para
além disso, tem que ter um conhecimento das pessoas, não só dos alunos mas
também dos colegas que estão a lecionar as disciplinas, pois muitas vezes temos
que agir como diplomatas no interesse de todos.

 

O que o motivou a
aceitar “comandar” este curso?

Quando me fizeram o
convite, claro que aceitei logo, mesmo sabendo o tempo que isto me iria ?roubar?
às aulas e à investigação, e de facto tira muito. Mas tem sido um desafio muito
interessante, pois atualmente tenho uma visão muito mais abrangente do curso,
uma ligação muito mais próxima com colegas e alunos e tem sido também uma
oportunidade de dar o meu contributo para que o curso melhor.

 

As experiencias anteriores
têm-no ajudado no cumprimento da sua função de diretor de curso?

Bastante. Principalmente
a experiência que tive a nível do ensino, pois estive durante alguns anos a dar
aulas no ensino secundário e em alguns locais um pouco problemáticos e isso
deu-me algum “calo”, algum “traquejo” para conseguir ver melhor as coisas da
perspetiva dos alunos, para tentar compreender os problemas que surgem e
resolvê-los o melhor possível.

 

Quais são as maiores
dificuldades no cumprimento da sua função?

A maior dificuldade de
todas é a falta de tempo. Abraçar este projeto veio aumentar bastante a carga
de trabalho e tornou mais difícil gerir o tempo.  Dar aulas, fazer investigação,
resolver as situações ou problemas da direção de curso não é fácil. Para além
disso, a equipa de Biologia é um bocadinho um caso isolado aqui na
Universidade, talvez até no ensino superior, porque houve uma tendência de
decréscimo de estudantes no ensino superior, mais numas áreas do que noutras,
mas nós tivemos sempre um crescimento, mas a nível de pessoal técnico,
para dar apoio nos laboratórios e a nível de pessoal docente, os números
estabilizaram ou até diminuíram, o que aumentou ainda mais a nossa carga de
trabalho.

 

No seu entender,
porque é que um futuro universitário deve concorrer à Licenciatura em Biologia
Aplicada?

Penso que, que como
em qualquer outro curso, é preciso gostar. Tem  que se gostar de biologia e ter
vontade de trabalhar. Se não gosta não vale apena!

 

Quais são na sua
opinião os pontos fortes deste curso? E os pontos fracos?

É um curso muito
ligado a aplicações práticas, abarcando várias áreas como, a ecologia, a
microbiologia, a biologia animal e a biologia vegetal, isto numa perspetiva
muito aplicada mesmo, com aplicação tanto na saúde como na gestão dos parques e
espaços naturais na parte da ecologia, esta é a grande marca do nosso curso de
Biologia Aplicada em relação às restantes biologias que são lecionadas no
ensino superior, as quais têm são específicas de uma ou outra área. Os pontos fracos, se
calhar derivam um pouco daí, pois os nossos alunos ficam mais dispersos por
todas essas áreas. Mas hoje em dia isso acaba por ser colmatado, as licenciaturas
de três anos fornecem esta abertura na formação, mas depois aos nossos alunos têm
a possibilidade de se especificarem mais numa ou noutra área na parte do
mestrado.

 

Existem hoje em dia
excesso de profissionais em determinadas áreas. O que podem esperar os alunos da
Licenciatura em Biologia Aplicada quanto ao mercado de trabalho?

Para variar,
dificuldades, tal como acontece em quase todas as áreas, umas mais que outras.
Em biologia temos alguma saída a nível de bolsas de investigação na parte da
investigação científica e em algumas empresas ligadas à área alimentar e à
gestão ambiental. As oportunidades não são muitas e as que há são quase sempre
situações um pouco precárias. O curso é muito dirigido para a investigação e
bastantes alunos nossos seguem para bolsas de doutoramento. Mas pelo feedback que
temos, os índices de empregabilidade são bastante elevados e cobrem estas áreas
todas. Pelo contacto que tenho com ex-alunos e outros que estão a terminar o
seu mestrado, a grande parte consegue colocação. É difícil fazer uma previsão a
4 ou 5 anos, mas acho que a tendência ainda se vai manter mais alguns
anos.  

 

Quais são os maiores
desafios de um recém-licenciado em Biologia Aplicada?

Na minha opinião, atualmente
e cada vez mais têm de tomar a iniciativa mais nas suas mãos. Enquanto estão a
estudar ainda conseguem, com mais ou menos iniciativa prosseguir o seu trajeto
académico, quando este termina é o momento de choque, tem de começar a tomar
decisões para arranjar aquilo que deseja. Em termos científicos, acho que damos
uma preparação muito boa aos nossos alunos, o que lhe facilita o futuro, mas há
sempre uma adaptação muito grande quando ocupa uma posição, não só de
conhecimentos mais específicos, mas também na relação com colegas com linguagens
um bocadinho diferentes.

 

Quais são as
prioridades para o curso nos próximos tempos?

Em termos de
prioridades, eu apostaria na qualidade, é isso que pretendo manter. A média de
entrada dos nossos alunos está muito bem posicionada na Universidade mas tem
perdido alguma posição, um decréscimo muito ligeiro mas constante,
eventualmente isso é o reflexo da diminuição da procura do ensino superior por
parte dos estudantes do secundário. Portanto, o grande desafio agora é fazer
inverter esta tendência, colocar a média de entrada do curso mais alta para
termos alunos ainda melhores. Para além da qualidade
dos alunos que entram, a nossa aposta será na internacionalização. Gostava que
poder contar com alunos estrangeiros no curso, isto é, já temos alguns mas de países
lusófonos e gostava de ter alunos não lusófonos a tentar entrar no curso. O
curso de biologia aplicada já teve bastante fama internacional na altura em que
tínhamos estágios de seis meses e enviávamos muitos estudantes para a Holanda,
nessa altura tínhamos muito boa publicidade por causa das boas performances que
os nossos alunos tinham lá. Portanto ficaria muito feliz se tivéssemos
estudantes estrangeiros a quer fazer o nosso curso. Isso já está a acontecer um
bocadinho com os “ERASMUS” que frequentam algumas das nossas cadeiras, mas
gostaria de ter alunos não lusófonos a frequentar o curso na totalidade desde o
primeiro ano.

 

Quais os principais
desafios desta licenciatura?

Estou muito satisfeito
com a qualidade do nosso curso. Às vezes temos notícias muito boas para os
docentes e para a direção de curso, que é frequentemente vermos antigos alunos
nossos em lugares de relevo no nosso país mas também no estrangeiro. Em termos
de qualidade, isto dá-me uma grande satisfação e leva-me a pensar que não é um
grande desafio aumentar a qualidade, mas é um grande desafio mantê-la. 

Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Nov/2015)

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