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UMinho assinalou 52.º aniversário com apelos à autonomia, financiamento e futuro do ensino superior

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UMinho assinalou 52.º aniversário com apelos à autonomia, financiamento e futuro do ensino superior

Ana Marques ⠿ 19-02-2026 17:00

Sessão solene reuniu Governo, órgãos de governação e estudantes numa reflexão sobre financiamento, inteligência artificial, acesso e o papel das universidades no desenvolvimento do país.

A Universidade do Minho (UMinho) assinalou, a 18 de fevereiro, o seu 52.º aniversário com uma sessão solene no salão medieval da Reitoria, em Braga, marcada por reflexões sobre o financiamento do ensino superior, a autonomia institucional, a inteligência artificial, o acesso dos estudantes e o papel das universidades no desenvolvimento do país e da região.

A cerimónia reuniu responsáveis institucionais, estudantes e representantes governamentais, e contou com intervenções do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, da presidente do Conselho Geral, Maria da Assunção Raimundo, do reitor Pedro Arezes e do presidente da Associação Académica, Luís Miguel Guedes. O programa integrou o tradicional cortejo académico e a entrega de medalhas, diplomas e prémios de mérito científico e pedagógico.

Na sua intervenção, Pedro Arezes destacou o percurso da instituição e o contributo da comunidade académica: “Celebramos hoje 52 anos de construção coletiva. Cinquenta e dois anos de afirmação académica, científica, cultural e cívica.” O reitor agradeceu o trabalho de docentes, investigadores, estudantes e trabalhadores técnicos e administrativos e sublinhou o papel central dos estudantes: “Sem estudantes, seríamos apenas uma organização com edifícios e regulamentos. São vocês que transformam este espaço num lugar vivo, criativo e inspirador.”

O responsável máximo da Universidade destacou o contexto internacional de incerteza e a crescente procura da universidade como fonte credível de conhecimento e referência científica e ética. Nesse enquadramento, apontou a participação na Aliança Europeia ARQUS como estratégica e reforçou a centralidade das pessoas na governação institucional, defendendo a valorização das carreiras, a renovação geracional e a simplificação administrativa para libertar tempo para as atividades nucleares.

Entre as principais frentes de transformação, referiu a unificação de normas para formação não conferente de grau, o reforço da oferta em inglês, o planeamento estratégico de investigação para 2026-2029 e a criação de recomendações sobre o uso da inteligência artificial no ensino. Foram ainda anunciados investimentos em residências estudantis, equipamentos culturais, eficiência energética e mobilidade elétrica, bem como o programa participativo DECIDE UMinho e um fórum anual com municípios.

Dirigindo-se ao Governo, o reitor apelou à estabilidade financeira e legislativa: “Nenhum modelo institucional é sustentável se cada avanço legislativo vier acompanhado de retração relativa dos meios financeiros.”

Na sua intervenção, Fernando Alexandre defendeu reformas estruturais para preparar o sistema para um contexto de maior incerteza internacional: “Quando temos mais incerteza é mais difícil prever o futuro, mas isso torna o planeamento e a capacidade de adaptação ainda mais importantes.” O ministro destacou a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, a atualização do Decreto-Lei de Graus e Diplomas e da Lei da Avaliação, bem como a criação da nova Agência para a Investigação e Inovação com orçamento plurianual de cinco anos. Sublinhou ainda o impacto regional da academia, afirmando que é “impensável pensar Braga e Guimarães sem a Universidade do Minho”.

A presidente do Conselho Geral, Maria da Assunção Raimundo, destacou que as universidades vivem uma fase de transição marcada por desafios estruturais como o financiamento previsível, a renovação geracional e a competitividade científica internacional: “A sustentabilidade institucional não é um tema administrativo, mas uma condição da liberdade académica. Sem estabilidade, não há projeto. Sem projeto, não há futuro.” Defendeu ainda uma integração crítica e ética da inteligência artificial: “A universidade que rejeitasse a IA arriscar-se-ia a tornar-se irrelevante. A universidade que a aceitasse sem reflexão arriscar-se-ia a perder a sua identidade.” Sublinhou também a cultura como dimensão essencial da missão universitária e da formação integral dos estudantes.

Em representação dos estudantes, Luís Miguel Guedes apelou ao reforço do investimento público e da ação social, defendendo a simplificação dos processos de candidatura e o pagamento atempado das bolsas. “O investimento na educação, ciência e inovação devolve um retorno que não pode ser questionado”, afirmou. Defendeu ainda o acesso inclusivo ao ensino superior: “Para o Ensino Superior operar como um elevador social real, é necessário que seja acessível a todos.” O dirigente reforçou o compromisso da Associação Académica com a participação estudantil e o diálogo institucional, sublinhando que “a mudança não é um fenómeno meteorológico… sem envolvimento coletivo, não há mudança que se efetive”.

A sessão incluiu momentos musicais do Coro Académico e do Grupo de Câmara do Departamento de Música da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas, bem como a entrega de distinções a estudantes e trabalhadores.

No encerramento, o reitor reforçou o papel das universidades na sociedade: “Hoje, mais do que nunca, a sociedade precisa de universidades fortes. Transformar o presente e inspirar o futuro não é apenas um lema nosso. É uma responsabilidade coletiva”.

Ao celebrar mais de meio século de atividade, a Universidade do Minho reafirmou o compromisso com a liberdade académica, a produção de conhecimento e a formação das gerações futuras, patenteando que o futuro do ensino superior dependerá das decisões tomadas hoje em matéria de investimento, governação e estratégia.

Atualizado a 19-02-2026 17:00