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Entrevista à Administradora dos SASUM, Alexandra Seixas

Alexandra Seixas é Administradora dos Serviços de Ação Social da Universidade do Minho (SASUM) há pouco mais de um ano. Alumna da UMinho, é licenciada em Informática de Gestão e fez todo o seu percurso profissional na academia minhota. A responsável faz um balanço positivo deste ainda pequeno trajeto à frente da instituição, revelando estar a ser um desafio “ainda maior do que estava à espera”.

Quem é a Administradora dos SASUM?

Sou uma alumna da UMinho, de Informática de Gestão (designação do curso à data), com todo o percurso profissional desenvolvido na “casa”, tendo passado por vários serviços e desempenhado diversas funções e cargos. Casada e mãe de dois filhos já adultos e com muita vontade de ver acontecer, quer na dimensão pessoal, quer na profissional.

É a primeira mulher administradora dos SASUM. Como surgiu o convite e como o encarou?

O convite foi-me endereçado pelo Senhor Reitor, como é natural, sendo que se trata de um cargo de nomeação. Pese embora não deixe de considerar um (bom) sinal dos tempos a cada vez maior taxa de ocupação de cargos de responsabilidade por parte de mulheres, gosto de pensar que é porque temos cada vez mais mulheres preparadas para isso e com vontade disso! Não apenas pelo simples facto de serem… mulheres!

Ser Administradora dos SASUM é, para si, uma missão profissional ou um prazer pessoal?

As instituições precisam de quem nelas esteja por espírito de missão. Mais que nunca.

Com um longo curriculum ao serviço da UMinho, uma relação iniciada ainda enquanto estudante. Em que se alterou a sua vida com o abraçar deste projeto?

Ficou bem mais dinâmica, digamos… A minha fase de vida pessoal permite-me abraçar este desafio com uma entrega que não teria há uns anos. Mas sim, é um projeto que exige uma entrega muito grande, um empenho diário, motivação e muita força de vontade!

Como caracteriza a sua função? As experiências anteriores têm-na ajudado no cumprimento deste novo cargo? Quais os maiores desafios inerentes ao cargo que exerce?

Eu encaro a função como eminentemente executiva. Sei que há abordagens diferentes, porventura mais estratégicas, mas eu não consigo desligar estratégia, de ação. Sou de terreno, gosto de ver acontecer. O maior desafio diria que é o da sustentabilidade financeira do Serviço, pois sem ela não é possível prosseguir a nossa missão.

Penso que todo o percurso profissional nos prepara para qualquer desafio, pois somos o que fizemos, e como fizemos, ao longo da nossa carreira. Mas diria que o meu envolvimento na desmaterialização e reengenharia de processos na Universidade, em 2014, dotou-me de competência e visão importantes para o desempenho desta função.

Acresce o cargo de chefe de divisão nos Serviços Académicos e ainda o cargo de secretária de Escola que me permitiu conhecer as dinâmicas pedagógicas e, por conseguinte, as relacionadas com os estudantes e as suas necessidades.

Após um ano à frente dos destinos dos SASUM, que balanço faz desta experiência?

Um desafio ainda maior do que estava à espera, confesso. Pela complexidade da organização – por ser mais pequena que a UMinho, facilmente se cai no logro de pensar que os processos serão mais simples, o que não é, de todo, verdade. Menor dimensão pode ser sinónimo de maior complexidade e eu tenho testemunhado isso diariamente. Mas é, certamente, um balanço que faço pela positiva, pelo que de enriquecedor comporta e pela natureza social do serviço que presta.

Como caracteriza os SASUM atualmente e quais são, na sua opinião, os maiores desafios da Administração que lidera?

Os SASUM são uma organização que presta serviços aos estudantes, com foco nos mais carenciados, e, por isso, é nobre a sua missão. Os desafios são enormes, já referi o da sustentabilidade financeira, mas podemos referir a requalificação do edificado, sobretudo o edificado que acolhe os nossos estudantes residentes, mas também o restante que acusa as suas já mais que duas décadas sem intervenção de fundo. Também, o parque de equipamentos já obsoleto que serve as nossas cozinhas e torna as tarefas dos nossos colaboradores mais pesadas e demoradas. Há muitos desafios, mesmo, mas eu diria que estes são os que estão completamente identificados como necessitando de atenção e soluções urgentes. Outros, como o do alargamento da prestação de serviços, como é o caso da área da saúde mental, por exemplo, já têm luz ao fundo do túnel, tendo os SASUM integrado a candidatura da Universidade no âmbito do Programa de Promoção da Saúde Mental no Ensino Superior, juntamente com a Escola de Psicologia, a Escola de Medicina e a AAUMinho.

Existe algum projeto/plano especial que gostasse de ver concretizado até ao final do seu mandato? Quais as áreas onde vai centrar a sua atenção?

Os referidos na resposta à pergunta anterior. Acresce a desmaterialização e reengenharia de processos que já encontrei em andamento, mas que vou fazer questão e garantir a sua implementação plena e abrangendo a totalidade do Serviço e dos processos, o que não estava previsto no processo em curso que encontrei.

Na prossecução da sua tarefa enquanto administradora, quais têm sido as maiores dificuldades com que se tem deparado?

As maiores dificuldades têm sido principalmente de natureza financeira e a gestão da articulação das pessoas e serviços.

Sente que tem uma equipa motivada e empreendedora?

Sim, sinto. Tenho, nesta fase, uma equipa com quem conto para levar a cabo as estratégias e respetivas ações que a concretizem. Estou certa de que a qualidade da colaboração e o comprometimento de cada membro refletem-se na qualidade do serviço que oferecemos aos estudantes.

Quais os projetos infraestruturais ou outros, mais importantes dos SASUM a curto/médio prazo?

Nessa matéria diria, sem dúvida, as novas residências em Braga e em Guimarães. Ainda que os SASUM não sejam os “donos de obra”, acompanham e integram comissões e júris de procedimentos prévios à construção e/ou reabilitação dos respetivos edifícios e vão gerir o seu funcionamento e a sua atividade. A disponibilização destes equipamentos vai duplicar a oferta de quartos e a sua operacionalização vai ser um desafio gigantesco para a estrutura.

Qual o orçamento dos SASUM para 2024?

Cerca de 9.800 milhões de euros. Valor do orçamento submetido: 9.850.866,00 €.

Os SASUM têm uma grande capacidade de arrecadação de receitas próprias. O que representam estas, atualmente, no total do orçamento dos SASUM? De que formas poderão os SASUM reforçar as suas receitas próprias?

A capacidade de arrecadação das chamadas receitas próprias dos SASUM é assinalável, de facto, representa cerca de 62% do orçamento total e queremos, através da oferta de novos serviços e serviços mais apelativos, aumentar essa capacidade, claro. Mas também está na nossa mira a captação de verbas via concurso a financiamento externo, dimensão na qual já estamos a trabalhar, nomeadamente no que respeita ao previsto na candidatura submetida no âmbito do programa de promoção da saúde mental no ensino superior que já referi acima, mas também vamos procurar solucionar, por essa via do financiamento externo, a requalificação muito urgente dos edifícios das Residências.

Os SASUM têm vindo a fazer uma grande aposta na área da sustentabilidade. O que tem sido feito e onde querem chegar?

Os SASUM têm feito essa aposta, de facto. Considero, inclusivamente, que o trabalho que conseguiram fazer é notável, mas considero também que esse trabalho faz sentido se alargado à UMinho como um todo. Nesta fase, será nesse caminho que vamos trabalhar.

A falta de alojamento para os estudantes universitários tem sido uma das questões na ordem do dia. Por outro lado, tem havido protestos relativamente à qualidade das residências disponíveis. O que está a ser feito pelos SASUM e pela Universidade no sentido de ir ao encontro das exigências dos estudantes?

Penso que já respondi a esta questão em mais que uma resposta dada acima, mas reforço que sim, o alojamento e a qualidade de vida nas nossas residências são uma prioridade completamente identificada e para a qual estamos a trabalhar com muito afinco, esgotando todas as vias e percursos ao nosso alcance.

O desporto continua a ser uma das grandes bandeiras dos SASUM. A aposta e investimento no desporto será para continuar e reforçar?

O desporto é uma aposta da UMinho e da AAUMinho e os SASUM têm, como tal, encarnado esse desígnio o melhor que pode e que sabe com os meios que tem e que lhe são disponibilizados. Nesta medida, continuará a ser uma aposta dos Serviços, sim.

A UMinho foi premiada com Selo Estudante-Atleta. Este será para revalidar daqui a dois anos? Qual a estratégia?

Certamente que continuaremos a lutar pela excelência na prestação de serviços que permita aos estudantes apostarem em carreiras duais, sendo essa uma aposta estratégica da UMinho. Neste contexto, continuaremos a desenvolver a atividade de suporte a esse desígnio e a revalidação desse selo será, penso eu, algo quase natural, diria.

Como caracteriza a situação atual da ação social no ensino superior? Quais são os aspetos mais positivos e os mais negativos da atualidade?

A ação social no ensino superior engloba apoios indiretos e diretos. No que respeita aos apoios indiretos, os serviços de alimentação são afetados atualmente pela instabilidade dos mercados, da qual resultam variações súbitas de preços e constrangimentos vários nos procedimentos de aquisição de produtos. Este contexto afeta sobremaneira o serviço que pretendemos prestar aos estudantes, nomeadamente o fornecimento de refeições sociais.

Ainda neste grupo de apoios indiretos, os serviços de alojamento estudantil, apesar dos esforços internos para garantir as melhores condições de conforto, estão altamente condicionados, por um lado, pela falta de camas e, por outro, pela falta de financiamento que permita investir na reabilitação das infraestruturas e na renovação de mobiliário e equipamentos.

Neste particular, é positivo que o Orçamento do Estado para 2024 preveja o aumento de verbas para ação social indireta – reforço de 40 euros por estudante bolseiro alojado – contudo, ainda muito aquém dos valores de apoio que o Estado atribui aos estudantes bolseiros que, por falta de vaga nas residências públicas, ficam alojados no setor privado.

Importa, por isso, insistir num caminho de reforço dos recursos dos Serviços de Ação Social, de maneira a permitir a prestação de um serviço de qualidade e acessível a todos os estudantes que dele precisam para frequentar o ensino superior.

No que concerne aos apoios diretos, nomeadamente à atribuição de bolsas de estudo, regista-se como positivo o alargamento do limiar de elegibilidade, o que tem vindo a permitir apoiar mais famílias com insuficiências económicas, sendo, porém, necessário refletir também sobre outras condições de elegibilidade previstas no regulamento de atribuição de bolsas, tendo em consideração não só a conjuntura económica atual, como, sobretudo, o contexto de crescente internacionalização do ensino superior, que tem comportado novos desafios também no campo dos apoios sociais a disponibilizar aos estudantes.

Que mensagem gostaria de deixar à Academia e aos trabalhadores dos SASUM?

Aos estudantes, reforçar o que o maravilhoso hino da UMinho afirma: “estes anos são viagem” e ela deve mesmo ser aproveitada ao máximo! Estamos cá para ajudar nesse percurso!  Aos trabalhadores dos SASUM, uma mensagem de agradecimento e de reconhecimento pelo muito que por aqui se faz todos os dias com tão pouco!

Texto: Ana Marques

Foto: Nuno Gonçalves

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