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Um Vintage chamado “Azeituna”



Qual o balanço destes 20 anos da Azeituna?

O balanço só pode ser muito positivo. Ao fim destes anos, a Azeituna conta com cinco trabalhos discográficos editados, organiza anualmente o CELTA, um festival de tunas que é uma referência a nível nacional, e tem um grande grupo de seguidores on-line. O envolvimento constante em iniciativas culturais e festivas têm feito das meias azul-celeste cada vez mais uma imagem de marca da Universidade do Minho e da cidade de Braga, cujas bandeiras a Azeituna tem levado por esse mundo fora, nas suas muitas digressões internacionais.

Quais os momentos mais marcantes da vossa história?

Em 20 anos de actuações, festivais de tunas e digressões dentro e fora do país, entre outras actividades, a quantidade de histórias que há para contar é enorme. Ainda assim, alguns momentos merecem destaque: a antestreia da Azeituna com uma actuação no IPJ a 5 de Maio de 1992 e a estreia no Enterro da Gata do mesmo mês “oficializaram” o aparecimento do grupo. A gravação do CD “Palpitações”, em 1994, que contém algumas das primeiras e mais emblemáticas músicas da Azeituna, traz o primeiro registo discográfico, que representa também um compromisso em relação à qualidade musical. O espírito aventureiro da tuna revela-se na tradição de digressões internacionais, que começou no ano da fundação (1992), com a participação na Expo’92 em Sevilha. Em 2001, a Azeituna visita pela primeira vez o Brasil, país com o qual viria a criar uma estreita relação e onde voltou por mais quatro vezes, até ao momento.

Mais recentemente, em Junho de 2011, o grupo actuou no Mega Pic-Nic Continente, em Lisboa, para uma Avenida da Liberdade repleta com mais de 150 000 pessoas, a maior audiência da história dos espectáculos da Azeituna. Todos os anos, a nossa tuna traz a Braga, no mês de Dezembro, algumas das melhores tunas do país para o CELTA ? Certame Lusitano de Tunas Académicas. O CELTA é sempre um momento marcante para o grupo, porque é a concretização do trabalho e dedicação dos seus elementos e é normalmente o evento onde a família “Azeitunal” se reúne em maior número. Salientamos o XIV CELTA, a partir do qual o festival passou a ter carácter temático e o XVIII CELTA, que teve como tema o Brasil, e como convidada a escola de samba brasileira Saci-Pô.

 

A procura dos novos alunos da UM pelas tunas tem sofrido variação?

A Azeituna tem tido de ano para ano um crescimento consistente. Actualmente, os novos alunos já chegam à UM minimamente informados sobre os grupos culturais, muitas vezes já decididos a pertencer a algum! Os grupos de novos alunos que, ano após ano, procuram a Azeituna não podiam ser mais diversos: estudantes de vários cursos da UM, alguns com formação musical de nível avançado, outros que nunca pegaram num instrumento; uns mais extrovertidos, outros nem tanto… Se um estudante se identificar com a essência do grupo, então existe um lugar para ele na Azeituna. Um fator que contribuiu, nos últimos anos, para a procura do nosso grupo, por parte dos novos alunos, foi o “Arraial Azeiteiro”, evento que organizamos em Setembro, em jeito de recepção aos caloiros. Com música ao vivo e inspirado no típico arraial minhoto, o “Arraial Azeiteiro” tem como objectivo dar aos novos alunos uma amostra do ambiente académico que podem esperar encontrar na UM. 

Como analisa o contexto dos grupos culturais, no actual momento da vida da universidade?

A formação de um estudante universitário não se limita à sua formação académica. Tipicamente, um jovem deve sair da Universidade pronto a enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e nesse sentido um historial de participação num grupo associativo (cultural ou outro) pode ser uma grande vantagem. Num grupo cultural desenvolvem-se competências gerais, que podem ser úteis praticamente em qualquer área de trabalho: organizar eventos, trabalhar em equipa, gerir recursos, resolver problemas sob pressão, cumprir prazos… Estar num grupo cultural também é enriquecedor a nível pessoal. Conhecer novas pessoas, viajar, aprender a tocar um instrumento (ou mais) e renovar o interesse pela cultura. Tudo isto, complementado com a formação curricular, pode fazer do percurso académico um processo de crescimento muito mais completo.

 

O que falta, ainda, fazer à Azeituna?

Nos planos de comemoração dos 20 anos da Azeituna estão já algumas actividades em que o grupo se vai estrear. Perto da data do aniversário (1 de Maio), a Azeituna apresenta à cidade de Braga um espectáculo a solo com as músicas mais emblemáticas do grupo ao longo destas duas décadas de história. Nos planos está também o lançamento de um álbum de músicas de Igreja, que a Azeituna acrescentou ao seu reportório após várias actuações em casamentos e baptizados, e o lançamento de um livro biográfico do grupo com histórias, biografias dos elementos, curiosidades, cronologia, fotos, entre outros elementos. Outras metas que podem estar fora do alcance do ano de 2012 incluem visitar os continentes asiático e africano (possivelmente numa volta ao Mundo), editar um videoclip, organizar uma iniciativa solidária e quebrar um recorde do Guinness. 

Que desejo formula para os próximos 20 anos?

Desejo que a Azeituna continue a crescer, que mantenha a sua forte ligação à Universidade do Minho e à cidade de Braga, mas sempre pronta a visitar um novo destino aonde levar a sua música. Desejo, também, que as próximas gerações de Azeitunos queiram sempre fazer mais e melhor e que o nosso país e a cidade de Braga correspondam com mais vontade e disponibilidade para apoiar a cultura local e aquilo que é seu.

Texto: João Nogueira Dias


(Pub. Mar/2012)

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