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“Esta Licenciatura possui variadíssimos pontos fortes”



Qual a sua formação e trajeto académico?

Licenciei-me em Ensino de Português-Inglês, na Universidade de Aveiro,
em 1995, instituição onde, em 1999, concluí também o Mestrado em Estudos
Portugueses. Em 2009, já na Universidade do Minho (Instituto de Educação), onde
exerço atividades de docência e de investigação desde 2002, doutorei-me em
Estudos da Criança – Literatura para a Infância e a Juventude.  

 

Como caracteriza a sua função de diretora de curso?

Ser diretora de curso é, na minha perspectiva, um cargo que se
caracteriza pela proximidade com as/os alunas/os, com as/os colegas e com algumas/alguns
funcionárias/os, reclamando a presença e a intervenção em situações muito
variadas. Nestas funções, como em tudo na vida: razão e coração. 

  

O que a motivou a aceitar “comandar” este curso?

Fui eleita pela Comissão Diretiva da LEB em Junho de 2012. Aceitei o
desafio e já passou um ano, naturalmente repleto de sobressaltos e de espantos.
Balanço positivo.   

 

As experiências anteriores têm-no ajudado no cumprimento da sua função
de diretora de curso?

Sim, acima de tudo, as experiências e o conhecimento que tenho do
perfil das/os alunas/os desta LEB, curso no qual lecciono há bastante tempo.

 

Quais são as maiores dificuldades no cumprimento da sua função?

No contexto académico atual, muito exigente do ponto de vista da
docência e da investigação, a gestão do tempo é muito complicada. Tempo para
ouvir as/os alunas/os e os colegas? Está – à semelhança do que, a propósito do
tempo para ler, escreve Daniel Pennac, em Como um Romance – “no meu bolso.
(…) quando se compra um blusão, o que é importante é o formato dos bolsos!”. Esta
é a maior dificuldade.

 

No seu entender, porque é que um futuro universitário deve concorrer à
Licenciatura em Educação Básica?

Esta Licenciatura, possibilitando a aquisição de competências
abrangentes nas diferentes áreas do saber científico, tecnológico, artístico,
humanístico e pedagógico, abre uma diversidade de saídas profissionais no âmbito
da educação infantil e básica. Este Ciclo de Estudos habilita para o exercício
de funções educativas não lectivas, designadamente em: Centros de apoio ao
estudo acompanhado e ateliers de ocupação de tempos livres; Instituições que
promovam o acompanhamento de crianças no prolongamento do horário; Projetos de
inovação pedagógica; Projetos de animação de bibliotecas escolares e públicas e
de mediação/promoção da leitura; Serviços de acompanhamento do estudo de
crianças hospitalizadas ou impossibilitadas de frequentar a escolar; Serviços
de apoio escolar a imigrantes; Serviços de apoio a crianças com necessidades
educativas especiais.

 

Quais são, na sua opinião, os pontos fortes deste curso? E os pontos
fracos?

Esta Licenciatura possui variadíssimos pontos fortes, a saber:
encontrar-se sediada num edifício próprio, no Campus de Gualtar; um corpo
docente com larga experiência de ensino, altamente qualificado e reconhecido
nacional e internacionalmente; um plano de curso que se pauta pela coerência,
pela coesão e pela relevância das UC que o compõem; um conjunto de UC e de atividades
extralectivas (conferências, simpósios, exposições, workshops, etc.) que
permitem construir uma visão global sobre as crianças e os seus contextos de
vida e aprendizagem, desenvolvendo competências para a ação em campos
relacionados com a educação infantil e básica; uma sólida e multidisciplinar
formação de base em diferentes áreas do conhecimento, nomeadamente: Ciências da
Educação, Língua Portuguesa, Literatura para a Infância e Juventude,
Matemática, Ciências Sociais e da Natureza, Expressões Artísticas e Educação
Física, que o capacitam para a conceção e desenvolvimento de projetos interdisciplinares
de investigação e intervenção com crianças, numa pluralidade de contextos
educativos e sociais; acesso a mestrados que habilitam para a docência na
Educação Pré-escolar e no 1º e 2º ciclo do EB; estímulo/possibilidades de
mobilidade das/os alunas/os (programa Erasmus, por exemplo).

O único ponto fraco que me ocorre reside na concentração e na redução
de tempo lectivo que é possível dedicar a certas áreas do conhecimento, facto
que decorre de imposições legais, naturalmente alheias à vontade da instituição
e dos seus agentes educativos.

 

O que distingue este curso da UMinho relativamente aos cursos da
Licenciatura em Educação Básica de outras universidades?

Adapto e aplico a esta resposta um dos “direitos inalienáveis do
leitor”, de Pennac, o “direito de saltar perguntas”. Não conheço de forma
aprofundada as Licenciaturas e o modo como funcionam nas outras Universidades
para poder responder objectivamente a esta questão.

 

Existe, hoje em dia, excesso de profissionais em determinadas áreas. O
que podem esperar os alunos da Licenciatura em Educação Básica quanto ao
mercado de trabalho?

Não podem esperar facilidades. Apenas isso. Há, porém, uma certeza:
aqueles que melhor preparação tiverem ou que mais habilitados/competentes
forem, aqueles para quem a vontade de aprender e de ensinar for uma “constante
na vida” certamente terão um futuro mais risonho. 

 

Acompanhou o período das reformas de Bolonha, marcado por uma profunda
alteração do modelo de ensino. Como o avalia?

Na sua essência ou no seu “quadro” de intenções, as reformas de Bolonha
materializam uma visão muito optimista do Ensino Superior. Ora, no caso
concreto de Portugal e da generalidade das/os alunas/os portugueses, os últimos
anos têm vindo a demonstrar que, naquilo que medeia a idealização e a
concretização, os obstáculos, as dificuldades e, até mesmo, os equívocos são
muitos…   

 

Quais são as suas prioridades para o curso nos próximos tempos?

Uma das minhas prioridades (não apenas minha, mas da globalidade dos
docentes que leccionam na LEB) consiste na consolidação de um trabalho
articulado entre UC. A esta junta-se a preocupação em apoiar e em promover a
dinamização de atividades extracurriculares que favoreçam a ampliação da
cultura (literária, artística, tecnológica, etc.) das/os nossas/os alunas/os,
bem como a interação com a comunidade e com contextos diversificados. E, neste
domínio, importa referir que o Núcleo de Estudantes em Educação Básica (NEEBUM)
tem feito um trabalho muito importante.

 

Quais são, para si, os principais desafios?

Um apenas (que, na verdade, guarda em si muitos outros): continuar a assegurar
a qualidade e o prestígio desta Licenciatura em Educação Básica.

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Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Out/2013)

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