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“O futuro da Tuna será sempre evoluir musicalmente”



Nascida
há 28 anos, a
Tuna Universitária do Minho,
mais conhecida por “TUM” tem feito um trajeto de sucesso no panorama cultural e
musical. Com atuações aquém e além-fronteiras e organizando anualmente o seu
festival, o
FITU Bracara
Avgvsta, que este ano terá
a sua 27ª edição, os tunos pretendem para o grupo, um futuro de evolução musical,
sempre com o foco na preservação e difusão da tradição e cultura minhota.

A Tuna Universitária do Minho foi a primeira
Tuna da academia minhota. Podem-nos falar um pouco do vosso processo de
formação, das motivações e de como foram aqueles primeiros tempos?

Nos finais dos
anos 80, quando a Universidade do Minho e as tradições académicas enfrentavam
um processo de mudança, entre eles a inauguração do Campus de Gualtar e a
rotura com o traje coimbrão e adoção do traje académico como o conhecemos hoje,
alguns estudantes que já tinham estado na origem de outros grupos, como grupos
de fado e de recolha de música popular, alimentavam a ideia de fundar uma tuna.
Um desses grupos, o Grupo de Música Popular, já tinha, inclusive, participado
como grupo convidado em vários festivais de tunas pelo país. Da ideia à
fundação da Tuna, o processo foi muito natural. Juntaram-se amigos e conhecidos
entusiastas, alunos envolvidos na atividade cultural estudantil e já com
contactos com as poucas tunas universitárias existentes em Portugal como também
algumas tunas espanholas. A decisão final de fundar a Tuna Universitária do
Minho foi tomada em novembro de 1989, numa ceia no Restaurante Mini Sport, após
um espetáculo do GMP, e ainda nesse ano foram realizados os primeiros ensaios. Já
depois de realizado um retiro espiritual, de onde surgiu o primeiro original da
Tuna, o Gerês Tónico, a antestreia
decorreu no início de maio de 1990, no Pub John Lennon, num espetáculo para um
público só com convidados, e a estreia oficial ocorreu a 10 de maio de 1990 nas
festas do Enterro da Gata.

Porquê o uso do vermelho e qual é o
significado do «bico»?

A utilização do vermelho como cor base deve-se
ao facto de esta ser cor oficial da Universidade do Minho. O ?Bico? é um
elemento identificador dos tunos e que simboliza a Tuna em si.

Vocês estão irmanados com a Tuna de Derecho
de Oviedo e a Tuna de Medicina do Porto e são os padrinhos de cinco tunas. Qual
é a importância destes laços, destas relações?

Manter os
laços com estas tunas é, para nós, bastante importante. Os “irmanamentos” com a
Tuna de Derecho de Oviedo e a Tuna de Medicina do Porto surgiram em alturas em
que a Tuna quase se fundia com estes, na partilha de momentos, ideais e
convivências. Estes sentimentos e partilha continuam preservados e bem vincados
até aos dias de hoje, pelo que um tuno de uma destas tunas é considerado como
um tuno nosso. Os apadrinhamentos à Azeituna, à Afonsina, à Tuna Académica da
Universidade Fernando Pessoa e à Tuna Académica do Externato Infante D.
Henrique são fruto da partilha e apoio a estas tunas na sua fundação e
primeiros anos. Mais recentemente, em 2016, tivemos também a honra de
apadrinhar a Tun?ao Minho. Estas relações são muito importantes para nós, pois
são também o reconhecimento por parte destas tunas, o que nos honra muito e nos
diz que o nosso trabalho em prol do universo cultural estudantil continua no
rumo certo, o que muito nos satisfaz.

Da vossa formação original, ainda têm tunos
que vão mantendo contacto e aparecendo nos ensaios?

Temos o
privilégio de poder contar com a presença de tunos de todas as gerações,
fundadores incluídos, em (pelo menos) duas ocasiões muito importantes do ano: o
FITU Bracara Avgvsta e o VITaR (o nosso “jantar de gala”). São os dois eventos
mais esperados do calendário tunae e a presença destes elementos é bastante
importante para a transmissão de ideais aos mais novos, discussão de ideias e
enriquecimento e fortalecimento do grupo.

Os retiros que vocês fazem no Gerês são muito
importantes para a vossa coesão e para manter esta ligação com o “passado”?

Os retiros são
bastante importantes pois são um regresso às origens da tuna e, como no
primeiro retiro, temos a oportunidade de trabalhar em prol do enriquecimento do
nosso reportório ao mesmo tempo que partilhamos experiências e fortalecemos a
nossa coesão

Em 1995 vocês foram finalistas do Eferreá, um
programa na RTP acerca de tunas. Como foi essa experiência?

A participação
no Eferreá foi bastante importante para a tuna, não só como projeção, pois
ainda eramos uma tuna relativamente nova, mas também como motor para criarmos
reportório novo e original. Termos ficado em segundo lugar foi uma motivação
enorme para continuarmos o nosso trabalho e um grande reconhecimento de que a
Tuna estava no rumo certo.


As tunas na década de noventa estavam mais na
moda?

Na década de
noventa as tunas em Portugal eram novidade e a novidade prende sempre um pouco
mais os estudantes e o público. Houve um “boom” enorme no panorama das tunas
nesse período e, infelizmente, a imagem geral das tunas foi degradada um pouco
devido a alguns maus exemplos. Ainda assim, creio que a qualidade e postura
atual das tunas está a conseguir ganhar novos impulsos e (re)conquistar o
público.

O processo de entrada para a Tuna hoje em dia
é muito diferente de há 20 anos atrás?

A entrada para
a Tuna não se alterou significativamente ao longo dos anos. Os nossos ensaios
são abertos a todos os alunos, entusiastas e interessados, pelo que não impomos
qualquer restrição para estes pertencerem à tuna (apenas têm de ser estudantes
e do sexo masculino, claro!)

Organizar o primeiro FITU Bracara Avgvsta… como foi?

O FITU Bracara
Avgvsta surgiu em maio de 1991 com o objetivo de celebrar o primeiro
aniversário da Tuna e divulgar junto da cidade de Braga o fenómeno emergente
das tunas universitárias. Desde a primeira hora que se traçaram objetivos que
distinguissem o FITU Bracara Avgvsta de outras organizações congéneres,
procurando que a saudável competição não se sobrepusesse ao convívio das tunas
participantes. Procurou-se também retirar as tunas dos espaços fechados, com a
convicção que o palco natural das tunas eram as ruas e levou-se as tunas ao
encontro da cidade. Exemplos destes desejos são o desfile das tunas, o
?Passa-calles? e a serenata à cidade na abertura do festival, momentos que se
preservaram inviolados até às edições atuais.

Nos dias 31 de março e 1 de abril vocês vão
apresentar o XXVII FITU Bracara Avgvsta. Como estão a decorrer os preparativos?

A organização
desta vigésima sétima edição do FITU Bracara Avgvsta já começou em junho do ano
passado. Neste momento os preparativos já estão bem adiantados e as novidades
vão começar a aparecer muito, muito brevemente.

Vamos ter alguma daquelas “super tunas” oriundas da América do Sul?

Todos os anos
tentamos trazer tunas do outro lado do Atlântico. No entanto, os encargos para
viagens deste tipo são um obstáculo enorme. O ano passado tivemos o prazer de
contar com a presença da Tuna de Derecho de la UNAM (México). Já este ano,
infelizmente, a participação de uma dessas tunas não será possível, mas já
temos contactos e tunas interessadas em participar na edição do próximo ano do
FITU Bracara Avgvsta.

E digressão internacional? Estão a pensar
fazer alguma em breve?

Uma digressão
internacional é sempre um grande objetivo anual da tuna. Felizmente o ano
passado tivemos a oportunidade de viajar pela Europa Central e visitar vários
países e cidades, como Amesterdão, Bruxelas, Clermont-Ferrand, Antuérpia e
Paris. Nesta última, tivemos a felicidade de estar presentes junto da
comunidade portuguesa aquando da Final do Campeonato da Europa e viver, de
maneira singular, a festa e euforia de termos sido campeões. 
Para os
próximos tempos, temos intenção e já alguns planos a começarem a ganhar forma.

Como veem o futuro da Tuna e o vosso próximo
grande objetivo?

O futuro da
Tuna será sempre evoluir musicalmente, mantendo a qualidade, postura e trabalho
em prol dos nossos ideais de preservação e difusão da tradição e cultura minhota.
Juntamente com isto, pretendemos elevar cada vez mais o FITU Bracara Avgvsta,
não só como marco da cultura bracarense, mas como o melhor festival de tunas do
país e um evento que seja um ponto de encontro de gerações, tradição e que
proporcione aos seus espectadores e participantes a melhor experiência
possível. A curto prazo, queremos voltar a organizar uma digressão além Europa
e a médio prazo, as celebrações do 30.º aniversário da Tuna também já começam a
surgir no nosso horizonte.

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Mar/2017)

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