51 anos de Engenharia com os olhos postos no futuro
Ana Marques ⠿ 08-10-2026 11:00
Escola de Engenharia da UMinho assinalou aniversário com reconhecimento da sua comunidade e parceiros e com um apelo à inovação, à transferência de conhecimento e à renovação geracional.
A Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM) assinalou ontem, dia 7 de outubro, o seu 51.º aniversário, numa cerimónia realizada no auditório nobre do campus de Azurém, em Guimarães. O momento serviu para celebrar um percurso de mais de cinco décadas, reconhecer o contributo de várias gerações e projetar os desafios que se colocam à Escola num contexto de profundas transformações científicas, tecnológicas e sociais.
Na abertura da sessão, o presidente da EEUM, António Vicente, destacou que celebrar 51 anos é “mais do que assinalar uma data”, é celebrar “uma história feita de conhecimento, de ambição, de trabalho e, acima de tudo, de pessoas”. Ao longo de cinco décadas, salientou, a Escola cresceu em dimensão, qualidade, diversidade e reconhecimento, reforçando a sua capacidade de investigação, a ligação às empresas e à sociedade e a sua projeção internacional.
O responsável sublinhou, contudo, que o aniversário deve ser também um momento de olhar para o futuro. “Celebrar 51 anos é, sobretudo, assumir responsabilidades perante o futuro”, afirmou, apontando para desafios como a inteligência artificial, a transição energética, a transformação digital, a emergência climática, a mobilidade sustentável e as novas tecnologias da saúde.
Neste contexto, defendeu a importância de formar profissionais tecnicamente excelentes, mas também preparados para compreender a complexidade do mundo, trabalhar em equipas multidisciplinares, pensar criticamente e avaliar as consequências das suas decisões. Reforçou ainda a necessidade de produzir conhecimento de fronteira e, simultaneamente, assegurar que este chega à sociedade, através do reforço das relações com empresas e instituições.
“Precisamos, acima de tudo, de continuar a ser uma escola aberta”, afirmou António Vicente, defendendo uma EEUM aberta “à inovação, à colaboração, à diversidade, à internacionalização e às novas gerações”.
O presidente da Escola deixou ainda uma palavra de agradecimento a todos os que contribuíram para o percurso da EEUM, destacando estudantes, docentes, investigadores, trabalhadores técnicos, administrativos e de gestão e antigos estudantes, bem como a Reitoria, os serviços da Universidade, as autarquias e os parceiros externos.
“O principal motor” da investigação, desenvolvimento e inovação da UMinho
No encerramento da cerimónia, o reitor da UMinho, Pedro Arezes, destacou o papel central da Escola de Engenharia no desenvolvimento da Universidade, não apenas pela sua dimensão, mas sobretudo pela capacidade de produzir conhecimento e transformá-lo “em projetos, em inovação e em resultados com aplicação concreta fora da Universidade”.
Para o reitor, a EEUM é atualmente “o principal motor da Universidade do Minho em matéria de investigação, desenvolvimento e inovação”, uma posição que, afirmou, constitui motivo de orgulho, mas também representa uma responsabilidade acrescida.
Pedro Arezes defendeu, neste sentido, a necessidade de reforçar a capacidade de valorização e transferência do conhecimento produzido na Universidade. “A questão que devemos colocar cada vez mais com frequência é o que fazemos com aquilo que produzimos internamente”, afirmou, apontando para a criação de novos produtos, processos e empresas, para a colaboração com o tecido empresarial e institucional e para a integração dos resultados da investigação no ensino e na formação.
Sem colocar em causa a importância da investigação fundamental, o reitor considerou que, quando o conhecimento produzido apresenta potencial de utilização, a Universidade deve ter capacidade para o valorizar e transferir, através de relações com empresas e instituições e da criação das condições necessárias dentro da própria Universidade.
Preparar a Escola para os próximos anos
O reitor abordou também os desafios colocados pelo fim do atual ciclo de financiamento associado ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), defendendo uma maior diversificação das fontes de financiamento e o reforço da participação em programas europeus e internacionais, bem como das relações com empresas e outras instituições.
Neste contexto, sublinhou ainda a importância de a Escola se questionar sobre a sua organização e sobre a forma como responde às exigências do presente e do futuro. “Uma instituição como a Universidade do Minho tem de ser capaz de se questionar de tempos a tempos sobre a forma como está organizada”, afirmou, defendendo que a reflexão e a mudança devem fazer parte da evolução de uma instituição.
A renovação geracional foi outra das dimensões destacadas por Pedro Arezes. No âmbito do plano de rejuvenescimento plurianual apresentado pela Reitoria, está prevista a contratação de 261 novos trabalhadores para a Universidade do Minho ao longo de quatro anos, estando prevista para a Escola de Engenharia a entrada de mais de 65 novos profissionais.
Para o reitor, este processo permitirá assegurar a continuidade entre gerações, através não apenas da transmissão de conhecimento científico, mas também de práticas e de uma cultura académica construída ao longo dos anos.
Reconhecer quem faz a Escola
A cerimónia do 51.º aniversário incluiu ainda o reconhecimento de estudantes, técnicos, investigadores, docentes e professores aposentados, bem como de individualidades, empresas e instituições parceiras que têm contribuído para o percurso da EEUM.
A Escola de Engenharia é atualmente a maior unidade orgânica da UMinho, com cerca de 6750 estudantes, distribuídos por 88 cursos nos campi de Guimarães e Braga, 262 docentes de carreira, 98 cientistas doutorados e mais de 100 técnicos. A sua atividade científica desenvolve-se em nove departamentos e nove centros de investigação de referência, abrangendo áreas que vão da engenharia biológica, civil, eletrónica e informática à mecânica, produção e sistemas, sistemas de informação e engenharia têxtil.
No final, a comunidade académica reuniu-se no átrio do auditório nobre para o corte do bolo de aniversário, acompanhado pela atuação das tunas de Engenharia, encerrando uma tarde dedicada à história, às pessoas e ao futuro de uma das maiores áreas científicas da Universidade do Minho.
O lema da Escola — “Tomorrow needs engineering” — sintetiza, assim, a ambição deixada na cerimónia: preservar um legado construído ao longo de 51 anos, mas continuar a transformar conhecimento em respostas para os desafios que se colocam à sociedade.
Atualizado a 08-10-2026 11:00
