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António Costa abriu os Colóquios de RI e alertou para “desordem crescente”

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António Costa abriu os Colóquios de RI e alertou para “desordem crescente”

Ana Marques ⠿ 29-04-2026 12:00

O Presidente do Conselho Europeu defendeu uma resposta europeia assente em cinco pilares num contexto global marcado pela erosão das regras internacionais.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertou para um cenário de “desordem crescente” nas relações internacionais, na abertura dos XLVII Colóquios de Relações Internacionais da Universidade do Minho, que assinalam os 50 anos da licenciatura pioneira na área em Portugal.

A sessão decorreu ontem, 28 de abril, no salão medieval da Reitoria, em Braga, reunindo académicos, diplomatas e especialistas para debater os desafios do contexto global.

Na sua intervenção, António Costa destacou duas tendências centrais: a erosão da ordem internacional baseada em regras e o avanço de um mundo cada vez mais multipolar. “O poder da força parece prevalecer sobre o poder da lei”, afirmou, sublinhando a crescente violação do direito internacional.

Perante este cenário, apresentou a estratégia da União Europeia assente em cinco pilares — “princípios, paz, prosperidade, parcerias e poder” —, defendendo o reforço do multilateralismo. “As Nações Unidas devem ser reformadas, mas não podem ser substituídas”, afirmou, acrescentando que “o oposto da cooperação é o conflito, e o oposto das regras é o caos”.

Também na sessão, a presidente do CECRI – Centro de Estudos do Curso de Relações Internacionais, Renata Costa Silva, destacou o papel dos estudantes na criação dos colóquios e na dinamização do pensamento crítico, sublinhando a importância de “construir pontes entre a teoria e o mundo”. Referiu ainda que, no contexto atual, “a paz deixou de ser um dado adquirido para se tornar uma emergência permanente”.

Já o reitor da UMinho, Pedro Arezes, deixou uma mensagem centrada no papel transformador da academia e das novas gerações: “A esperança é uma atitude. É a capacidade de olhar o mundo sem descrer dele, nem no nosso papel em melhorá-lo”. O responsável defendeu ainda que a universidade tem sido um agente ativo nas transformações do país e sublinhou a importância de formar cidadãos capazes de “praticar o diálogo e a diplomacia” e de “tentar consertar o mundo”.

Pedro Arezes destacou também o simbolismo da presença de António Costa, considerando que esta representa “a ligação entre o conhecimento produzido na Universidade e os processos de decisão que moldam o espaço europeu e internacional”.

A sessão incluiu ainda a assinatura, por António Costa, do livro de honra e a visita à exposição do cinquentenário da licenciatura.

Sob o tema “50 Years of Global Dynamics: Where Powers Collide, Shadows Linger and Europe Trembles”, os colóquios terminam hoje, dia 29, com especialistas de várias instituições internacionais.

Criado em 1975, o curso de Relações Internacionais da UMinho foi o primeiro na área em Portugal, enquanto os Colóquios, iniciados em 1980, se afirmam como uma referência no debate público nacional.

Atualizado a 29-04-2026 12:00