António Vicente tomou posse como presidente da Escola de Engenharia da UMinho
Ana Marques ⠿ 15-10-2025 13:00
Cerimónia no campus de Azurém marcou o início de um mandato dedicado à inovação, sustentabilidade e formação de engenheiros para um mundo em mudança.
O professor catedrático António Vicente tomou posse na passada quinta-feira, 9 de outubro, como presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM). A cerimónia, que decorreu no campus de Azurém, em Guimarães, contou com a presença do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, bem como de responsáveis da academia, docentes, investigadores, estudantes e representantes da sociedade civil.
António Vicente sucede ao professor Pedro Arezes e, para o triénio 2025-2028, será coadjuvado pelos vice-presidentes Joana Cunha, Hélder Puga e Daniel Oliveira.
No discurso de tomada de posse, António Vicente destacou os desafios contemporâneos da engenharia e o papel da academia na resposta às exigências de um mundo em mudança. Sublinhou que “num mundo em rápida transformação, a inovação e a adaptação deixaram de ser opção para se tornarem condição”, defendendo que uma escola de engenharia deve liderar “a investigação e a formação de profissionais capazes de enfrentar, com rigor e criatividade, os desafios contemporâneos”.
Apontando a sustentabilidade, a inclusão e a colaboração como eixos centrais da sua presidência, afirmou que “a Escola de Engenharia deverá estar cada vez mais focada em oferecer uma educação que vá além dos princípios científicos e técnicos, estimulando o pensamento crítico, a criatividade, a capacidade de comunicação e a ética”.
O novo presidente abordou também o impacto das tecnologias emergentes no ensino, a importância da diversidade, da cooperação entre instituições e da relação com a sociedade, sublinhando que “ao preparar a Escola para estes desafios, estaremos não só a formar engenheiras e engenheiros altamente competentes, mas também líderes capazes de contribuir para um mundo melhor, mais ético e sustentável”.
Defendeu ainda uma visão estratégica assente na internacionalização, no reforço da ligação ao tecido empresarial e na valorização da investigação, destacando também a aposta nas microcredenciais, no ensino híbrido e na ética aplicada à inovação tecnológica. Entre as áreas prioritárias, referiu os domínios do espaço, do mar, dos recursos minerais, da inteligência artificial, da ciência de dados e da adaptação às alterações climáticas.
Dirigindo-se à comunidade académica, António Vicente deixou uma mensagem pessoal e inspiradora, convidando a uma cultura de empatia, cooperação e humildade: “Que ninguém fique mais triste ou mais pobre por se ter cruzado contigo. Treina o elogio e o bem-dizer. Vale a pena tentar.”
Na sua intervenção, o reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro, destacou o peso e a responsabilidade acrescida da Escola de Engenharia no contexto institucional. “Não há escolas de primeira e de segunda, mas há escolas que, pelo seu peso específico, têm maior impacto no funcionamento da universidade. E a Escola de Engenharia é uma delas”, afirmou, reconhecendo o papel da unidade na criação de sinergias internas e colaborações interdisciplinares.
O reitor defendeu que “a missão essencial da universidade é educar pessoas, oferecendo uma educação superior que vá além da dimensão técnica e profissional”. Sublinhou a necessidade de formar cidadãos informados, críticos e responsáveis, alertando para a importância de preservar os valores éticos e civilizacionais num tempo em que “as redes sociais ameaçam a valorização do conhecimento e a construção de uma sociedade mais esclarecida”.
Rui Vieira de Castro abordou ainda desafios estruturais da Escola e do ensino superior, nomeadamente a necessidade de repensar a oferta formativa, de reforçar a formação não conferente de grau e de melhorar a competitividade das unidades de investigação. “Não devemos ter medo de tomar decisões. Há cursos que deixaram de fazer sentido, e é fundamental repensar as áreas de formação para responder a novas exigências sociais e científicas”, sublinhou.
Sobre a investigação, referiu que “a fragmentação das unidades de I&D pode debilitar a competitividade”, defendendo maior cooperação e consolidação científica, e destacou a internacionalização como “um excelente sinal da nossa capacidade de interagir com centros de investigação de outros países”.
Por fim, alertou para os riscos de uma subordinação acrítica às dinâmicas externas, afirmando que “as universidades são diferentes das empresas, e ainda bem que são diferentes”. Reforçou que é essencial “preservar a autonomia e os princípios do ensino superior, que assentam no valor do saber e na construção de um futuro mais informado e mais livre”.
Atualizado a 16-10-2025 09:00
