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DTx CoLAB: onde a investigação da Academia ganha impacto na indústria

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DTx CoLAB: onde a investigação da Academia ganha impacto na indústria

Ana Marques ⠿ 30-07-2026 16:00

Da inteligência artificial aos materiais inteligentes, o DTx CoLAB aproxima investigadores, estudantes e empresas para transformar conhecimento científico em soluções com aplicação real. Com proximidade à Escola de Engenharia da Universidade do Minho, afirma-se como um espaço onde a inovação acontece em equipa e onde muitos estudantes encontram as primeiras oportunidades para construir o seu futuro profissional.

Há muito que a investigação deixou de acontecer apenas dentro dos laboratórios. Hoje, responder aos desafios da transformação digital exige que universidades, empresas e investigadores trabalhem lado a lado, cruzando conhecimento científico com necessidades concretas da indústria. Foi precisamente para responder a esse desafio que nasceu, em 2018, o DTx – Digital Transformation CoLAB.

Criado no âmbito da estratégia nacional dos Laboratórios Colaborativos, o DTx aproxima a investigação desenvolvida na Academia, entre as quais, na Universidade do Minho, da sua aplicação. Inteligência artificial, ciência de dados, Internet das Coisas, cibersegurança, sistemas embebidos, materiais avançados ou realidade mista são apenas algumas das áreas onde equipas multidisciplinares trabalham diariamente para desenvolver soluções com impacto económico e social.

Estivemos à conversa com André Matos, diretor executivo do DTx e alumni da Escola de Engenharia, Nuno da Costa, Coordenador do Data Science and Machine Learning Group do DTx CoLAB, e Cláudia Buga, ex aluna de Doutoramento e Investigadora no Functional and Sensitive Materials Group do DTx. Leia aqui as entrevistas.

 

André Matos

CEO do DTx CoLAB

O que é o DTx – Digital Transformation CoLAB e qual a sua missão?

André Matos: O DTx – Digital Transformation CoLAB é um laboratório colaborativo dedicado à investigação aplicada e à inovação na área da transformação digital. A nossa missão é acelerar a transferência de conhecimento entre a academia e a indústria, promovendo soluções inovadoras que permitam às empresas responder aos desafios tecnológicos, económicos e sociais da era digital. Procuramos criar valor através da inovação colaborativa, colocando a ciência ao serviço da competitividade empresarial e do desenvolvimento sustentável.

Como surgiu esta estrutura e que necessidades procurou responder?

André Matos: O DTx nasceu em 2018, no contexto da estratégia nacional dos Laboratórios Colaborativos, para aproximar o conhecimento científico das necessidades reais das empresas e da sociedade. O desafio era claro, na medida em que existia um enorme potencial científico nas universidades e centros de investigação, mas era necessário criar mecanismos mais eficazes de transferência de conhecimento e de tecnologia, capazes de acelerar a transformação digital do tecido empresarial português, assente num modelo de governance colaborativo para maximizar resultados e partilha de risco.

Que papel desempenha o DTx no ecossistema de inovação e transferência de conhecimento da Universidade do Minho e da Escola de Engenharia?

André Matos: O DTx assume-se como uma ponte entre a investigação académica e a aplicação industrial. Trabalhamos em estreita articulação com a Universidade do Minho, um dos Associados fundadores, e, em particular, com a Escola de Engenharia, promovendo projetos conjuntos, valorizando resultados de investigação e criando oportunidades para investigadores e estudantes desenvolverem soluções com impacto real nas empresas. Somos, acima de tudo, um espaço onde conhecimento, tecnologia e indústria convergem para gerar inovação e criar valor económico.

Quais são atualmente as principais áreas de atuação e investigação do DTx?

André Matos: As nossas atividades centram-se em investigação aplicada e inovação áreas estratégicas da transformação digital, nomeadamente inteligência artificial (incluindo GenAI), data engineering, Internet das Coisas, cibersegurança, sistemas embebidos, visão computacional, realidade mista, materiais avançados e funcionalizados, e interação humano-tecnologia.

Que projetos ou iniciativas destacaria como exemplos do trabalho desenvolvido pela estrutura?

André Matos: Destacaria os projetos colaborativos desenvolvidos com os nossos Associados, empresas de diferentes setores industriais, nomeadamente os projetos financiados por programas nacionais e europeus, que permitem antecipar tendências tecnológicas e desenvolver soluções com elevado potencial de transferência para o mercado. Por exemplo, as cinco agendas mobilizadoras do PRR recentemente concluídas, onde desenvolvimento tecnologias para digitalização e operação de edifícios inteligentes, sistemas embebidos e de eletrónica de potência para controlo e operação de veículos elétricos, arquiteturas integradas para sistemas inteligentes de armazenamento de energia (Virtual Power Plants), algoritmos de inteligência artificial para qualidade e manutenção preditiva em processos de injeção de polímeros.

Como é feita a articulação entre investigadores, estudantes e empresas nos projetos em curso?

André Matos: Essa articulação é um dos pilares do nosso modelo de funcionamento. Os projetos são desenvolvidos em equipas multidisciplinares, integrando investigadores, estudantes de mestrado e doutoramento e profissionais das empresas associadas. Esta proximidade permite que os desafios empresariais sejam abordados com rigor científico, ao mesmo tempo que proporciona aos estudantes experiências práticas altamente diferenciadoras, sendo que muitos acabam por ser contratados e integrados nas nossas equipas.

De que forma a Escola de Engenharia contribui para o desenvolvimento do DTx?

André Matos: A Escola de Engenharia é um parceiro estratégico fundamental. Contribui através da excelência científica dos seus investigadores, da formação avançada dos estudantes e da disponibilização de competências em áreas tecnológicas críticas. Além disso, a forte cultura de inovação e de ligação à indústria que caracteriza a Escola constitui um legado profundamente enraizado e amplamente partilhado pela maioria dos colaboradores do DTx, muitos dos quais são provenientes da Universidade do Minho e da Escola de Engenharia. Este património comum assume-se como um elemento essencial para o sucesso do DTx, reforçando a sua identidade e potenciando a concretização da sua missão.

Sendo também alumni da Escola de Engenharia, como vê a evolução da Escola e o seu papel na formação dos profissionais que hoje integram estruturas como o DTx?

André Matos: A Escola de Engenharia da Universidade do Minho tem demonstrado uma notável capacidade de evolução e adaptação aos desafios emergentes. Hoje, forma profissionais com uma sólida base científica e técnica, mas também com competências transversais, espírito crítico e capacidade de inovação. Estas características são determinantes para integrar estruturas como o DTx, onde a capacidade de trabalhar em ambientes de contexto real, multidisciplinares, colaborativos é essencial.

Como é que o trabalho desenvolvido no DTx chega às empresas e à sociedade?

André Matos: O impacto do nosso trabalho concretiza-se sobretudo através de projetos colaborativos comos nossos Associados e parceiros, transferência de tecnologia, protótipos, demonstrações tecnológicas, formação avançada e participação em redes nacionais e internacionais de inovação. Procuramos que o conhecimento produzido não permaneça apenas no contexto científico, mas seja efetivamente traduzido em soluções que melhorem processos, produtos, serviços e, consequentemente, a qualidade de vida das pessoas e a produtividade das empresas.

Adicionalmente, desempenhamos um papel ativo na formação dos nossos recursos humanos, tanto pelos desafios a que procuramos dar resposta por via dos projetos que desenvolvemos, como pelo investimento que fazemos na sua formação contínua e avançada. Isto tem um efeito na sociedade, na medida em que muitos deste profissionais a certo ponto na sua carreira transitam para empresas e levam consigo estas competências, esta curiosidade e esta forma colaborativa e transdisciplinar de dar resposta a desafios complexos.

Que impacto tem tido a atividade do DTx na transformação digital das organizações com quem colabora?

André Matos: Temos observado ganhos significativos ao nível da eficiência operacional, da capacidade de inovação, da digitalização de processos e da criação de novos produtos e serviços. Para além de introduzir tecnologia, ajudamos os nossos Associados e parceiros a desenvolver uma cultura de inovação e a preparar-se para responder de forma sustentável às mudanças contínuas e aceleradas do mercado.

Quais são os principais desafios tecnológicos que o DTx pretende ajudar a responder nos próximos anos?

André Matos: Nos próximos anos, teremos de responder a desafios relacionados com a adoção responsável da inteligência artificial, a tecnologia quantum, a cibersegurança, a integração de sistemas inteligentes, as diversas solicitações na área da defesa, a sustentabilidade industrial, a soberania tecnológica europeia e a interação entre humanos e tecnologias avançadas. O nosso objetivo é continuar a desenvolver soluções que aliem inovação tecnológica, impacto económico, sustentabilidade e responsabilidade social.

O sucesso de estruturas como o DTx depende também da capacidade de atrair e reter talento. Na sua perspetiva, qual a importância de a Universidade disponibilizar condições de apoio aos estudantes?

André Matos: A atração e retenção de talento exige uma visão integrada. A excelência científica é fundamental, mas não é suficiente. É essencial que os estudantes encontrem condições adequadas de alojamento, alimentação, apoio social, saúde, bem-estar e prática desportiva. Só num ambiente inclusivo e equilibrado é possível potenciar plenamente o talento, a criatividade e a capacidade de inovação dos estudantes, que representam o futuro das nossas organizações e do país. Simultaneamente, a proximidade e a política de portas abertas com estruturas como o DTx, permite a oferta de experiências novas e mais imersivas, fora do ambiente da sala de aula, e mais próximas do mundo real que os espera. Esta é também, na minha opinião, uma mais-valia no apoio aos estudantes na preparação do seu percurso profissional.

Que mensagem deixaria aos estudantes que ambicionam trabalhar nas áreas da inovação e transformação digital?

André Matos: Diria que cultivem a curiosidade, a capacidade de aprender continuamente e a abertura para trabalhar em equipas multidisciplinares. A inovação nasce frequentemente da interseção entre diferentes áreas do conhecimento. Mais do que dominar uma tecnologia específica, é fundamental desenvolver pensamento crítico, capacidade de adaptação e vontade de transformar conhecimento em impacto real na sociedade.

 

Investigador Nuno da Costa

Coordenador do Data Science and Machine Learning Group do DTx CoLAB

Qual é o seu percurso académico e profissional e como chegou ao DTx?

Nuno da Costa - O meu percurso está profundamente enraizado no tecido académico nacional, culminando na Escola de Engenharia da UMinho, onde concluí o Doutoramento em Bioengenharia pelo programa MIT Portugal, focado em Neurociências e Data Science, após um Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica na NOVA FCT. A minha investigação inicial focou-se na fronteira entre o cérebro humano, computadores e IA para fazer priming de estados mentais, usando neurofeedback para potenciar e acelerar a performance cognitiva (trabalho detalhado na minha tese: https://hdl.handle.net/1822/75752). A transição para o DTx foi uma evolução motivada pela vontade de aplicar a Ciência de Dados e a Inteligência Artificial a uma escala industrial tangível. Procurava um ambiente focado na entrega e na resolução de problemas complexos reais e o modelo do laboratório colaborativo era o espaço ideal para essa transição.

Em que área ou projeto se encontra atualmente a trabalhar?

Nuno da Costa: Atualmente, sou o Coordenador do grupo de Data Science and Machine Learning no DTx. Lidero e participo em projetos que vão desde a arquitetura de software em ambientes digitais complexos até à implementação de Inteligência Artificial Avançada e Agêntica (GenAI e Agentic AI). Trabalhamos lado a lado com parceiros de peso, como a BOSCH, NOS, IKEA, e grandes consórcios europeus como o GENAI4EU e iniciativas de AI Factories — focados em trazer a computação de alta performance e os ecossistemas de dados para setores críticos como a manufatura, defesa e saúde.

Em que consiste o trabalho que desenvolve atualmente no DTx?

Nuno da Costa: Numa perspetiva mais técnica, o meu trabalho foca-se na gestão da ponte entre a investigação em Machine Learning (incluindo Data Science e MLOps) e a sua implementação em arquiteturas de software escaláveis. No dia a dia, isto significa arquiteturar e atuar como diretor da engenharia de algoritmos que resolvem problemas reais — seja detetar anomalias numa linha de produção ou melhorar a colaboração entre humanos e robôs ou detetar highlights num jogo de futebol —, garantindo que a matemática teórica se transforma numa ferramenta de negócio fiável e com um Retorno Sobre o Investimento (ROI) elevado.

Como explicaria esse projeto a alguém sem formação em Engenharia ou tecnologia?

Nuno da Costa: Gosto de pensar no nosso trabalho como a criação de um "sistema nervoso central" corporativo para apoiar a tomada de decisão (decision making). Assim como o cérebro humano recolhe dados dos nossos sentidos para tomar decisões rápidas e evitar perigos, nós usamos a Ciência de Dados e a IA para dar às fábricas e aos sistemas informáticos a capacidade de "sentir", "observar" e "aprender". Ensinamos os sistemas a detetar falhas antes que elas ocorram ou a otimizar processos complexos de forma autónoma, tornando a indústria muito mais eficiente e resiliente.

Que desafios procura resolver através da investigação que desenvolve?

Nuno da Costa: O principal desafio é fazer com que modelos matemáticos e de Inteligência Artificial complexos funcionem no mundo real, de forma sustentável e transparente. No laboratório, os dados são limpos e controlados. No contexto industrial ou nos ecossistemas europeus de partilha e utilização de dados (como o GAIA-X), ainda há muito "ruído" — ou seja, uma enorme falta de transparência, qualidade, clareza, sistematização e sustentabilidade nos processos. O nosso foco é garantir que a IA que desenvolvemos é robusta, explicável — permitindo que as pessoas percebam exatamente como a máquina tomou a decisão — e capaz de gerar ROI imediato para os nossos parceiros. Mais do que isso, a minha missão pessoal, alinhada com a visão de líderes como Demis Hassabis, é utilizar estas ferramentas para ajudar a sociedade nas grandes questões fundamentais de saúde (como o Alzheimer e o cancro) e na otimização da performance humana, potenciando o ser humano através de ferramentas de interface cérebro-máquina, como exploro no meu projeto Neuroprime (https://github.com/nmc-costa/neuroprime).

Que resultados ou avanços destacaria até ao momento?

Nuno da Costa: Destacaria a nossa capacidade de desenhar arquiteturas de IA que fundem o mundo digital com o físico. Recentemente, e em parceria com alguns dos Associados do CoLAB, avançámos com publicações e validações industriais em áreas como a deteção de anomalias em telecomunicações, forecasting multivariado para cash flows ou a avaliação da carga mental em ambientes de colaboração humano-robô. Ver o desenvolvimento científico, como a criação de Gémeos Digitais (Digital Twins), saltar dos artigos teóricos para a validação industrial concreta é, sem dúvida, o nosso maior marco — e é um rasto de impacto que pode ser consultado no meu registo científico (https://orcid.org/0000-0002-8425-3501).

O que distingue o trabalho desenvolvido no DTx de uma investigação exclusivamente académica?

Nuno da Costa: A métrica de sucesso. Na academia clássica, o sucesso é frequentemente medido pela publicação de conhecimento de fronteira e pelo avanço do estado da arte. No DTx, embora a fundação seja puramente científica e continuemos a publicar ativamente, o sucesso mede-se pelo impacto direto e imediato no tecido empresaria nacional (nas empresas associadas) e europeu, assim como na competitividade no mercado global. Trabalhamos orientados a produtos, com metodologias ágeis e prazos ditados pelo ritmo acelerado da transformação digital.

Como é trabalhar em projetos que têm uma aplicação prática tão próxima das necessidades das empresas?

Nuno da Costa: É um exercício de simplificação constante, que segue o princípio base da minha filosofia de trabalho: simplificar antes de otimizar. Exige que sejamos tradutores de complexidade tecnológica. Ver algoritmos que a nossa equipa desenhou a otimizar a logística, a produção ou a qualidade do software em multinacionais é incrivelmente recompensador, pois confirma que estamos ativamente a simplificar processos e a desenhar um novo futuro. Os meus próprios projetos open-source refletem esta exata direção de tornar o complexo acessível e eficiente (visível no projeto simplifyhit™: https://github.com/nmc-costa/simplifyhit).

Que papel tem a Escola de Engenharia da UMinho na formação e desenvolvimento dos investigadores que integram o DTx?

Nuno da Costa: A EEUM, onde atuo como investigador no centro ALGORITMI e à qual continuo ligado enquanto talento que de lá emergiu, é um pilar estrutural. A Escola incute uma cultura de engenharia extremamente pragmática e interdisciplinar. Essa matriz formativa, que cruza o rigor técnico com uma elevada capacidade de adaptação, é essencial para que, no ecossistema do DTx, consigamos uma colaboração multidisciplinar para ter cientistas de dados, engenheiros informáticos, biomédicos e de materiais a falar exatamente a mesma linguagem e a inovar em conjunto.

Na sua opinião, quais são os principais pontos fortes da investigação produzida na Escola de Engenharia?

Nuno da Costa: A sua enorme vitalidade na ligação à indústria e a sua agilidade em adaptar-se a novas fronteiras tecnológicas. A Escola tem a tradição de criar verdadeiros ecossistemas à sua volta, fomentando laboratórios colaborativos, spin-offs e centros de excelência que recusam deixar a investigação fechada nas gavetas, transferindo tecnologia rapidamente para a economia regional e nacional. Um excelente exemplo desta dinâmica são as novas "AI Factories" (Fábricas de IA), que atuarão como aceleradores massivos destes ecossistemas e nas quais estamos ativamente envolvidos (recente iniciativa que participei das Fábricas de IA da camara de Guimarães, da UMinho e do BSC: https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:7473347661941866499/ e na página do DTx CoLAB).

Ao longo do seu percurso académico e profissional, houve apoios, estruturas ou oportunidades proporcionadas pela Universidade que tenham sido particularmente importantes?

Nuno da Costa: Certamente. O meu doutoramento através do programa MIT Portugal e o acesso a centros de excelência de classe mundial, como o ICVS, o ALGORITMI e o próprio MIT, deram-me os recursos e a mentoria cruciais para o meu desenvolvimento. Além disso, as bolsas da FCT geridas pela instituição foram estruturas essenciais para me permitir dedicação exclusiva à investigação mais fundamental.

Quais são as tendências tecnológicas que considera mais relevantes para os próximos anos?

Nuno da Costa: Vejo uma forte convergência. A Inteligência Artificial Generativa vai continuar a democratizar o acesso à análise, sintetização e anonimização de dados, mas o grande salto tangível dar-se-á na IA industrial, na Edge AI e physical AI— colocar a capacidade de decisão e inteligência diretamente nas máquinas, sensores físicos e robôs. Paralelamente, os Digital Twins tornar-se-ão o padrão absoluto da indústria sustentável com robos no leme. Estamos também a trabalhar proactivamente para construir ecossistemas europeus de dados e computação (data centers, data lakes, data warehouses, AI Factories) cada vez mais regulados e transparentes. O objetivo é fomentar a confiança entre parceiros, resolvendo o bottleneck da partilha de dados, para que a colaboração europeia entre a indústria e a academia se torne mais fluida. Só assim teremos uma verdadeira 'união' europeia tecnológica, garantindo que o mercado europeu se mantém competitivo, soberano e sustentável.

O que mais o motiva no trabalho que desenvolve diariamente?

Nuno da Costa: A oportunidade de estar envolvido em organizações e projetos guiados por missões concretas, onde a excelência técnica se cruza invariavelmente com o impacto direto na sociedade, seja à escala micro ou macro. O que me move — o meu Strange Attractor diário — é o desafio contínuo: aprender, liderar equipas brilhantes e elevar as capacidades tecnológicas que moldam positivamente o mundo ao nosso redor. E acredito que alcançamos isso através da simplificação rigorosa de todas as nossas interfaces de comunicação e arquiteturas, uma missão que traduzo literalmente no código opensource que desenvolvo (simplifyhit™:https://github.com/nmc-costa/simplifyhit).

 

Cláudia Buga

Ex aluna de Doutoramento e Investigadora no Functional and Sensitive Materials Group do DTx

Qual o curso que frequenta e em que fase do percurso académico se encontra?

Cláudia Buga: Terminei, em abril, o doutoramento em Engenharia de Materiais.


Como surgiu a oportunidade de integrar projetos desenvolvidos no DTx?

Cláudia Buga: Integrei o DTx em março de 2020, após me candidatar a uma vaga destinada a investigadores com experiência em Engenharia de Materiais ou áreas relacionadas. Na altura, tinha concluído o Mestrado Integrado em Engenharia Biomédica, na especialidade de Instrumentação e Biomateriais, na Universidade de Coimbra, e encontrava-me a transitar entre bolsas de investigação, uma realidade infelizmente comum para quem termina a formação académica e opta por seguir uma carreira na investigação.

A integração no DTx permitiu-me desenvolver o doutoramento em Engenharia de Materiais e proporcionou-me uma estabilidade profissional e académica que dificilmente teria encontrado noutro contexto. O facto de não estar limitada pela duração de uma bolsa permitiu-me desenvolver o meu trabalho de forma mais completa, consistente e cientificamente robusta.


Em que projeto participa atualmente e quais são as suas principais funções?

Cláudia Buga: Atualmente, participo no projeto Be.Neutral 8 https://www.beneutral.pt/), que visa acelerar a redução das emissões de carbono nas cidades através do desenvolvimento de produtos e serviços de mobilidade sustentável.

As minhas funções centram-se no desenvolvimento de dispositivos baseados em eletrónica impressa, uma alternativa à eletrónica tradicional que permite utilizar substratos flexíveis, mais leves e mais sustentáveis. Em particular, estou a desenvolver ecrãs impressos que utilizam tintas à base de água, são extremamente finos e leves e apresentam um consumo energético muito reduzido. Participo ainda no desenvolvimento de superfícies sensíveis à pressão para a deteção de objetos esquecidos no interior de veículos.


Como é o dia a dia de um estudante que integra uma estrutura como o DTx?

Cláudia Buga: Durante o doutoramento, um dos aspetos mais importantes para mim foi a liberdade para gerir grande parte do meu tempo de forma autónoma. Ao longo da semana temos reuniões de equipa e reuniões individuais para acompanhar o progresso dos projetos, mas existe também espaço para organizar o trabalho da forma mais adequada a cada investigador.

Uma parte significativa do meu tempo é dedicada ao estudo do estado da arte, ao planeamento de novas experiências e à sua execução. Dependendo dos resultados obtidos, é muitas vezes necessário reformular hipóteses, ajustar abordagens e explorar novas perspetivas. Por isso, o dia a dia é bastante dinâmico e varia de acordo com os desafios de cada projeto. A análise e interpretação dos resultados, bem como a sua comparação com a literatura científica, também ocupam uma parte importante do trabalho. Numa área como a Engenharia de Materiais, considero fundamental a confiança depositada nos investigadores para gerirem o seu tempo e explorarem novas ideias, promovendo a criatividade e a inovação.


O que mais o surpreendeu desde que começou a colaborar com o DTx?

Cláudia Buga: A confiança depositada nos investigadores e a liberdade para propor soluções inovadoras foram os aspetos que mais me surpreenderam. Existe espaço para desenvolver novas linhas de investigação, desde que estejam alinhadas com os objetivos definidos para cada projeto.


De que forma esta experiência complementa a formação adquirida na Escola de Engenharia?

Cláudia Buga: Para além de consolidar as competências técnicas adquiridas na Escola de Engenharia, a experiência no DTx incentivou-me a procurar constantemente novas soluções e a desenvolver uma maior autonomia científica. Aprendi também a abordar desafios de forma mais criativa e multidisciplinar, sempre com foco nas aplicações práticas, no impacto para a sociedade e na procura de estratégias mais sustentáveis para a transferência e escalamento de tecnologias.

 

Que competências técnicas e pessoais sente que tem desenvolvido?

Cláudia Buga: Desenvolvi a capacidade de desconstruir problemas em hipóteses de investigação e de estruturar projetos para lhes dar resposta. A nível pessoal, ganhei maior autoconfiança e aprendi a participar em debates de forma construtiva, defendendo as minhas ideias com espírito crítico e abertura ao diálogo.


Como é trabalhar em equipa com investigadores e empresas?

Cláudia Buga: É uma experiência muito enriquecedora, porque permite conciliar diferentes perspetivas e objetivos. Enquanto investigadores, temos tendência para explorar os problemas de forma aprofundada e procurar constantemente soluções inovadoras. Já as empresas estão naturalmente mais focadas na maturidade tecnológica, na viabilidade de implementação e no impacto prático das soluções.

Trabalhar em conjunto exige encontrar um equilíbrio entre estas duas abordagens. Isso obriga-nos a avaliar não só o potencial científico de uma tecnologia, mas também a sua aplicabilidade e o valor que pode gerar no curto e médio prazo. Considero que este contacto com as empresas é extremamente importante, porque nos ajuda a orientar a investigação para desafios reais e a maximizar o seu impacto na sociedade.


Considera que esta experiência poderá influenciar o seu percurso profissional futuro? De que forma?

Cláudia Buga: Com certeza. Embora continue a ser apaixonada pela investigação laboratorial e pela descoberta científica, a experiência no DTx permitiu-me desenvolver uma visão mais abrangente sobre o ciclo de desenvolvimento de uma tecnologia. Aprendi que não basta obter resultados promissores em laboratório; é igualmente importante pensar na sua implementação, escalabilidade e impacto potencial na sociedade.

Essa perspetiva influenciará certamente o meu percurso profissional futuro, pois permitiu-me compreender melhor como alinhar a investigação científica com os desafios reais da indústria e da sociedade. Considero que esta abordagem é fundamental para desenvolver projetos com relevância, impacto e excelência, tanto a nível nacional como europeu.


Que oportunidades encontra um estudante ao participar em projetos desta natureza?

Cláudia Buga: Penso que a principal oportunidade é poder participar ativamente em projetos com objetivos concretos e impacto potencial fora do contexto académico. Isso permite aos estudantes perceber melhor quais são os seus interesses, desenvolver espírito crítico e ganhar experiência num ambiente de trabalho colaborativo e multidisciplinar. No meu caso, foi também uma oportunidade para crescer como investigadora e compreender melhor o papel que a investigação pode ter na resposta aos desafios da sociedade.


Para além da componente académica, de que forma tem vivido a experiência universitária na UMinho?

Cláudia Buga: Sendo honesta, a minha experiência universitária na UMinho foi diferente daquela que é vivida pela maioria dos estudantes. Tendo realizado a licenciatura e o mestrado noutra instituição, entrei na UMinho já numa fase avançada do percurso académico, durante o doutoramento, o que naturalmente proporciona uma experiência mais focada na investigação e na atividade profissional.

Além disso, os meus primeiros anos na Universidade do Minho coincidiram com a pandemia de COVID-19, o que limitou muitas das oportunidades de interação e participação na vida académica. Ainda assim, tive a oportunidade de integrar equipas de investigação, colaborar com colegas de diferentes áreas e desenvolver o meu percurso científico num ambiente muito estimulante, em parte devido ao facto de estar associada ao DTx


Enquanto estudante da UMinho, de que forma os serviços e apoios disponibilizados à comunidade académica – como bolsas, alojamento, alimentação, desporto, saúde e bem-estar – contribuem para o seu percurso académico e para a participação em projetos exigentes como os desenvolvidos no DTx?

Cláudia Buga: Embora não tenha recorrido a apoios como bolsas ou alojamento, considero que os serviços disponibilizados pela UMinho contribuem para o bem-estar dos estudantes. No meu caso, destaco a oferta de alimentação no campus e o acesso às instalações desportivas de Azurém, que constituem uma alternativa de qualidade e economicamente acessível para a prática regular de exercício físico com acompanhamento dedicado.

 
Que conselho deixaria aos estudantes que gostariam de participar em projetos de investigação e inovação durante o seu percurso académico?

Cláudia Buga: O principal conselho que deixaria é que estejam atentos às oportunidades que vão sendo divulgadas através dos canais da Universidade, nomeadamente do email institucional. Muitas oportunidades de estágios, bolsas e projetos de investigação são divulgadas dessa forma e, por isso, é importante não deixar passar os prazos e não ter receio de se candidatar.

Aconselho também os estudantes a serem proativos. Falar diretamente com professores, investigadores ou empresas pode abrir portas para a participação em projetos, seja através de unidades curriculares de projeto, estágios ou dissertações de mestrado alinhadas com os seus interesses.

Na UMinho existem ainda iniciativas como a EPIC, que proporcionam oportunidades de formação complementar, empreendedorismo e contacto com projetos inovadores. Muitas vezes, basta dar o primeiro passo e demonstrar interesse para surgirem oportunidades muito enriquecedoras.

 

 

 

 

 

Atualizado a 28-07-2026 16:00