EEG celebrou 44 anos com debate sobre diplomacia e desafios geopolíticos
Ana Marques ⠿ 11-03-2026 17:00
Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e Dmytro Kuleba, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, participaram na sessão, que assinalou também os 50 anos da licenciatura em Relações Internacionais.
A Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho (EEG) assinalou, no dia 10 de março, o seu 44.º aniversário numa cerimónia realizada em Braga. O evento reuniu responsáveis académicos, estudantes e convidados institucionais e destacou-se pelas reflexões sobre os atuais desafios da política internacional, bem como pelo reconhecimento do percurso da Escola no ensino e na investigação.
Na abertura da cerimónia, o presidente da Escola, Luís Aguiar-Conraria, destacou que a celebração coincidiu com um marco simbólico: os 50 anos da licenciatura em Relações Internacionais, a mais antiga do país nesta área. “A escola faz 44 anos, mas um dos seus cursos emblemáticos, Relações Internacionais, celebra 50. Somos das universidades mais jovens do país, mas a licenciatura em Relações Internacionais é a mais antiga de Portugal”, afirmou.
O responsável sublinhou a importância da diplomacia e das relações internacionais na identidade da Escola e da Universidade, assinalando que o aniversário ocorre num momento particularmente exigente da vida europeia e internacional.
Dirigindo-se ao antigo ministro ucraniano, convidado para proferir uma palestra sobre o impacto da guerra na Europa, intitulada “The Ukraine War and Europe’s Defining Decade”, Aguiar-Conraria expressou solidariedade com o país. “Não imagino o que seja chefiar a diplomacia de um país invadido por uma grande potência militar. Caro Dmytro Kuleba, esta escola está convosco”, afirmou.
O presidente da EEG destacou ainda alguns desenvolvimentos recentes da Escola, entre os quais a acreditação internacional de vários cursos pela EFMD Global e a criação de licenciaturas duplas, uma novidade no ensino superior público português a partir do próximo ano letivo. Referiu igualmente o objetivo estratégico de alcançar a chamada “Triple Crown”, reunindo três das mais prestigiadas acreditações internacionais na área da gestão — EFMD Global, AACSB e AMBA.
Entre os projetos em desenvolvimento, destacou ainda a UMinhoExec – Executive Business Education, uma iniciativa que pretende reforçar a ligação entre a Universidade e o tecido empresarial através da formação executiva e de programas avançados dirigidos a empresas e instituições. “Esperava, neste momento, que a associação já estivesse formalmente constituída. Brevemente apresentaremos uma proposta final para os estatutos e avançaremos para a constituição da associação, que terá o nome UMinhoExec – Executive Business Education”, afirmou.
O Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, marcou presença na cerimónia e destacou o caráter pioneiro da licenciatura em Relações Internacionais da Universidade do Minho, sublinhando a ligação histórica da região à diplomacia portuguesa.
Na sua intervenção, o governante reiterou o apoio de Portugal à Ucrânia perante a invasão russa. “Portugal está 100% ao lado da Ucrânia”, afirmou, acrescentando que existe um amplo consenso na sociedade portuguesa quanto ao apoio político, diplomático, financeiro e humanitário ao país.
Paulo Rangel considerou ainda que “o conflito ucraniano é um conflito existencial para a Europa” e defendeu que a guerra não pode ser esquecida, apesar das várias crises internacionais em curso.
O ministro refletiu também sobre a orientação da política externa portuguesa, sublinhando a importância da dimensão atlântica do país. “Portugal não é um país mediterrânico. Portugal é um país atlântico”, afirmou, defendendo o reforço das relações bilaterais e da presença diplomática portuguesa em diferentes regiões do mundo.
O ministro abordou também temas recentes da política externa portuguesa, como o reconhecimento da Palestina e questões ligadas à Base das Lajes, reforçando o compromisso de Portugal com a diplomacia internacional.
No encerramento da sessão, o reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, destacou o contributo da Escola para o desenvolvimento da Universidade e da região ao longo das últimas quatro décadas.
“Celebrar 44 anos desta Escola é reconhecer uma história de construção coletiva, que se cruza com o desenvolvimento da própria Universidade e com a afirmação da região como um espaço de conhecimento, inovação e dinamismo económico”, afirmou.
Pedro Arezes salientou que as áreas da economia, gestão e ciência política têm hoje um papel central na compreensão dos desafios globais. “Vivemos um tempo de profundas transformações económicas, sociais e geopolíticas. Neste contexto, o conhecimento produzido nestas áreas torna-se cada vez mais relevante para apoiar decisões públicas e privadas mais informadas”, referiu.
O reitor destacou também a ligação entre investigação, ensino e sociedade, apontando o contributo científico da Escola para o debate público. “A Escola tem contribuído de forma muito significativa para este domínio, nomeadamente através da qualidade reconhecida do seu Centro de Investigação em Ciência Política”, sublinhou.
O reitor apontou ainda como prioridade o desenvolvimento da educação executiva e da aprendizagem ao longo da vida. “Num mundo em rápida transformação, a aprendizagem contínua tornou-se uma necessidade incontornável”, afirmou, destacando o projeto UMinhoExec como uma iniciativa estratégica que aproxima a Universidade do tecido empresarial e institucional.
Pedro Arezes destacou ainda a crescente dimensão internacional da Escola, que conta com estudantes estrangeiros, numerosas parcerias universitárias e um número crescente de unidades curriculares lecionadas em inglês.
A cerimónia incluiu ainda a entrega de prémios de mérito e excelência nas diversas áreas da Escola, terminando com um momento de confraternização entre a comunidade académica e os convidados.
Atualizado a 12-03-2026 09:00
