Entre códigos, soldaduras e desafios: a experiência da RoboParty
Ana Marques ⠿ 30-03-2026 09:00
Participantes de várias idades e países reuniram-se em Guimarães para construir robôs e explorar o mundo da tecnologia.
Mais de 400 participantes, distribuídos por cerca de uma centena de equipas, estiveram reunidos no pavilhão desportivo da Universidade do Minho, em Guimarães, para a 18.ª edição da RoboParty, que decorreu entre 25 e 27 de março. Considerada a maior iniciativa de robótica educacional do mundo, a atividade desafiou jovens e adultos a construir robôs móveis autónomos num ambiente de aprendizagem prática e colaborativa.
Vindos de todo o país, mas também de Espanha e dos Países Baixos, os participantes tinham maioritariamente entre 15 e 17 anos, embora a faixa etária se estendesse dos 10 aos 65 anos. Ao longo de três dias consecutivos, muitos permanecem no recinto em sacos-cama, enquanto as equipas recebem um kit do robô “Bot’n Roll One A+” e participam em sessões de formação em eletrónica, programação e mecânica.
“Hoje, de facto, o palco é mesmo deles, destas 105 equipas que vieram de todo o lado — Portugal, Espanha, Países Baixos, incluindo participantes dos Açores. No total, são cerca de 420 participantes, 80 voluntários e perto de 20 elementos da organização”, destacou Fernando Ribeiro, responsável pela organização do evento.
A iniciativa é promovida pela Universidade do Minho, através do Laboratório de Automação e Robótica e da spin-off botnroll.com, com o apoio do Centro ALGORITMI, da Escola de Engenharia, dos Serviços de Acção Social e da Reitoria.
Na sessão de abertura, o vice-reitor para a Modernização Institucional da UMinho, Nuno Castro, sublinhou o impacto formativo da iniciativa: “A RoboParty é muito mais do que tecnologia — é um espaço onde se despertam vocações, se cria confiança e se aprende a fazer”, afirmou. O vice-reitor destacou ainda o impacto duradouro da experiência. “É um daqueles momentos que os participantes levarão para o resto da vida”, afirmou.
Também a vereadora da Câmara Municipal de Guimarães, Isabel Sousa, destacou o papel estratégico do evento: “Mais do que um evento, representa um compromisso com o futuro, construído através do conhecimento, da ciência e da tecnologia”, reiterando o compromisso do município com o apoio a iniciativas que promovam o conhecimento e a inovação.
Durante o evento, os participantes foram desafiados a testar os seus robôs em diferentes provas, como a “Fun Challenge”, a “Crazy Race” e os “Robot Show”, apresentações cénico-musicais que atraem habitualmente grande público.
Mais do que um evento tecnológico, a RoboParty afirma-se como uma experiência multidisciplinar. “Não é só tecnologia, não é só robótica. É também aprender a programar, participar em atividades e enfrentar desafios”, sublinhou Fernando Ribeiro.
Para Carla Duarte, professora de informática no Agrupamento de Escolas Gonçalo Nunes, em Barcelos, a participação na RoboParty resulta do trabalho desenvolvido com os alunos em contexto escolar: “Esta oportunidade permite desenvolver uma aprendizagem ativa, com entusiasmo, o que torna tudo muito mais significativo”, explicou, acrescentando que a experiência “ultrapassa o contexto formal da escola” e promove maior autonomia dos alunos.
Para os participantes, a experiência é feita de tentativa e erro, mas também de descoberta constante. Mateus Dantas, aluno da Escola Secundária António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, destaca a curiosidade como principal motivação: “Sempre tive interesse em perceber como funcionam os robôs, como é feita a programação e como posso fazer algo semelhante em casa”, explicou.
A construção do robô tem sido desafiante, sobretudo na fase de programação: “Temos um código base, mas depois é preciso testar, pesquisar e perceber onde está o erro. Às vezes olhamos para o código várias vezes até conseguir resolver”, contou. O trabalho em equipa revela-se essencial ao longo do processo: “Há várias tarefas, e fazer tudo sozinho é muito mais difícil. As opiniões dos colegas ajudam-nos a tomar decisões”, afirmou. Apesar de ter maior interesse na área do desenvolvimento de software, o aluno acredita que a experiência terá impacto no seu futuro: “A tecnologia está em constante evolução e temos de acompanhar. Isto vai enriquecer o meu conhecimento e despertar ainda mais curiosidade.”
A par da componente formativa, o evento conta com uma forte equipa de voluntários, maioritariamente estudantes da Universidade do Minho. José Mendes, estudante de Eletrónica Industrial, participou pela primeira vez como voluntário: “Estamos aqui a ajudar, a ver as pessoas a trabalhar e a evoluir. É trabalhoso, mas também muito divertido”, contou.
O apoio centra-se sobretudo na resolução de dificuldades técnicas, sendo a programação um dos maiores desafios: “Cada pessoa pensa de forma diferente e temos de nos adaptar para ajudar”, explicou. Ainda assim, o balanço é positivo: “Aquilo que levo mais daqui são as amizades e a partilha”, destacou.
Entre as novidades desta edição, destacam-se demonstrações de robôs humanoides, como o K1, capaz de jogar futebol e dançar, bem como o robô Charmie, desenvolvido pelo Laboratório de Automação e Robótica.
Paralelamente, o evento integrou atividades lúdicas e desportivas e momentos culturais, reforçando o ambiente de convívio entre os participantes.
No final, os robôs construídos são levados pelos participantes, prolongando a experiência de aprendizagem.
Desde 2007, a RoboParty já envolveu mais de 9000 participantes, afirmando-se como um espaço de promoção das áreas da eletrónica, programação e mecânica.
Atualizado a 30-03-2026 09:00
