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Entre o passado e o futuro, a EAAD celebrou 29 anos de criação e impacto

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Entre o passado e o futuro, a EAAD celebrou 29 anos de criação e impacto

Ana Marques ⠿ 06-11-2025 17:00

Escola de Arquitetura, Arte e Design da UMinho assinalou aniversário com conferência de Maria Manuel Oliveira e balanço das transformações no ensino, na investigação e na ligação à sociedade.

A Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho (EAAD) celebrou ontem, dia 5 de novembro, o seu 29.º aniversário, numa cerimónia marcada pela homenagem, pela reflexão e pela projeção do futuro. O Auditório Nobre, no campus de Azurém, em Guimarães, acolheu a sessão que contou com as intervenções do presidente da Escola, Paulo Cruz, e do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, bem como com a conferência “Pierre Jeanneret, no sopé dos Himalaias”, proferida pela professora Maria Manuel Oliveira.

Ao evocar quase três décadas de história, Paulo Cruz lembrou que este é “um momento para recordar o caminho que percorremos juntos, reconhecer o esforço coletivo e perspetivar o futuro”. O presidente prestou homenagem a figuras marcantes recentemente desaparecidas, como Nuno Portas e Manuel Botelho, “duas referências cuja influência transcende gerações”. E estendeu também o reconhecimento à professora Maria Manuel Oliveira, que encerrou a sua carreira académica. “A escolha da conferência de hoje é um gesto de gratidão a alguém cujo percurso e dedicação deixaram uma marca profunda na Escola”, afirmou.

Na sua intervenção, Paulo Cruz fez um balanço das principais transformações da EAAD, destacando reformas no ensino, o reforço da investigação e a consolidação de parcerias com empresas e instituições. Sublinhou a “profunda reformulação do mestrado integrado em Arquitetura”, que introduz um modelo de ensino “mais flexível, contemporâneo e atento à integração entre teoria, prática e investigação”. Referiu ainda o dinamismo dos cursos de formação avançada, como os de Fabricação Robótica em Design, Arquitetura e Construção e de Tecnologia de Fachadas e Envolventes de Edifícios, exemplos da “capacidade da EAAD de responder com agilidade aos novos desafios profissionais e tecnológicos”.

O presidente destacou também o papel do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT), recentemente reavaliado pela FCT com a classificação de “Excelente”, e o lançamento da Cátedra de Construção e Era Digital, em parceria com o Grupo Casais. Projetos como o STREET, o FORMA e o GreenGap refletem, segundo Paulo Cruz, o compromisso da Escola com a sustentabilidade, a inovação tecnológica e a ligação ao território.

A dimensão cultural e artística da EAAD foi igualmente sublinhada, com dezenas de exposições, palestras e oficinas que reforçam a ligação da Escola à comunidade. Entre os projetos em destaque, o presidente mencionou “Paraíso Hoje”, que representará Portugal na 19.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza de 2025, com curadoria do professor Pedro Bandeira, e a participação da Escola em redes internacionais como a DoCoMoMo Portugal.

“Com o vosso apoio, continuaremos a construir uma Escola que pensa, desenha e transforma o futuro”, afirmou Paulo Cruz, encerrando com a oferta simbólica da coletânea EAAD25 à vereadora Adelina Pinto, em reconhecimento do apoio da Câmara Municipal de Guimarães.

O reitor Rui Vieira de Castro felicitou a Escola pelo dinamismo e pelo “alargamento do âmbito de atuação” dos últimos anos, destacando a diversidade de projetos que reforçam o papel da EAAD na Universidade e no território. “Há aqui um motivo de confiança naquilo que a Escola ainda tem a dar à instituição e à concretização do seu projeto específico”, afirmou, assinalando também o caráter simbólico do momento por ser, “com elevadíssima probabilidade, a última intervenção num Dia da Escola”.

Num discurso de tom mais pessoal, Rui Vieira de Castro refletiu sobre o papel transformador da Universidade e o sentido da sua missão. “A Universidade do Minho continua a afirmar-se como uma instituição com um projeto transformador — das pessoas, da economia, da sociedade e da cultura”, disse, sublinhando que esse projeto deve ser guiado por princípios humanistas consagrados nos Estatutos da UMinho.

“Contribuir para uma sociedade baseada no conhecimento, no saber, na criatividade e na inovação — esta é a missão da Universidade”, afirmou, lembrando que todos os que nela participam estão vinculados a esse compromisso.

O reitor concluiu reforçando os valores que devem orientar a vida académica: “A dignidade da pessoa humana, a igualdade, o respeito mútuo, a participação democrática e o pluralismo de opiniões. Estes princípios não podem ser apenas um exercício retórico, têm de ter expressão na nossa ação quotidiana.” “Que a Universidade assim continue, como foi antes e como será no futuro. Essa é a minha aspiração, e também a minha certeza”, rematou Rui Vieira de Castro. 

Atualizado a 06-11-2025 17:00