Escola de Medicina da UMinho projeta o futuro da saúde no Minho
Ana Marques ⠿ 09-10-2026 13:00
No 26.º aniversário da Escola, a criação do Centro Clínico Universitário do Minho esteve em destaque, a par da aposta na formação médica, na investigação e na inovação. O NEMUM celebrou também 23 anos.
A Escola de Medicina da Universidade do Minho (EMUM) assinalou ontem, dia 8 de outubro, o seu 26.º aniversário, numa cerimónia realizada no Auditório Zulmira Simões, no campus de Gualtar, em Braga. A sessão reuniu responsáveis académicos, docentes, investigadores, estudantes e recém-graduados, num momento de balanço do percurso da instituição e de reflexão sobre os desafios futuros da formação médica, da investigação e dos cuidados de saúde.
Um dos principais temas em destaque foi a proposta de criação do Centro Clínico Universitário do Minho, uma aliança entre a Universidade do Minho e as Unidades Locais de Saúde (ULS) de Braga, do Alto Minho e do Alto Ave, que pretende reforçar a articulação entre o ensino, a investigação e a prática clínica.
Na intervenção de abertura, o presidente da Escola de Medicina, Jorge Correia Pinto, defendeu que o projeto poderá representar um novo passo na resposta conjunta aos desafios da saúde, valorizando a qualidade clínica, a investigação e a proximidade aos doentes. «O que propomos é uma aliança para a saúde, o ensino e a ciência, com um propósito único, elevar a experiência e o resultado clínico de quem precisa, o doente», afirmou.
O responsável destacou também o percurso da Escola, que já formou mais de dois mil médicos e mais de 300 doutorados, e recordou a aposta pioneira num modelo de ensino centrado no desenvolvimento de competências, bem como a articulação entre a formação médica e a investigação biomédica. Entre os investimentos em curso, salientou a criação de um centro de simulação médica, destinado a aproximar os estudantes de cenários clínicos reais e a reforçar a preparação de profissionais de saúde.
A investigação e a transferência de conhecimento foram igualmente apontadas como áreas estratégicas. Jorge Correia Pinto referiu o investimento em equipamentos científicos e o trabalho desenvolvido pelos investigadores do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), bem como o percurso da Iplexmed, uma spin-off associada à Escola que desenvolve soluções de diagnóstico genético e que captou um milhão de euros de investimento.
Formação, investigação e inovação ao serviço da sociedade
O reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, sublinhou a importância de a Escola preservar a sua identidade pedagógica e continuar a preparar profissionais capazes de responder a problemas concretos de saúde. A formação médica, defendeu, deve manter uma forte ligação à realidade clínica, promovendo o raciocínio, a capacidade de decisão e o trabalho em equipa.
«Uma escola de medicina não se mede apenas pelo número de médicos que forma», afirmou, lembrando que a missão de uma instituição desta natureza passa também pela produção de conhecimento científico relevante e pela sua transformação em soluções com impacto na vida das pessoas.
Neste contexto, destacou o investimento em novas infraestruturas de investigação, incluindo equipamentos de bioimagem, e o potencial da transferência de tecnologia para aproximar os resultados científicos das necessidades da sociedade. Referindo-se à Iplexmed, salientou a importância de a investigação desenvolvida na Universidade poder evoluir para soluções concretas, capazes de chegar ao mercado e contribuir para a melhoria da saúde.
Pedro Arezes considerou ainda que os rankings universitários devem ser encarados como instrumentos de informação, e não como substitutos de uma estratégia institucional, que deve continuar a articular qualidade do ensino, investigação, inovação e serviço à sociedade.
Os estudantes no centro da reflexão
A cerimónia ficou também marcada pela mensagem de Patrícia Maciel, professora da Escola de Medicina, dirigida aos recém-graduados em Medicina e aos finalistas do mestrado em Ciências da Saúde. Recordando o percurso exigente dos estudantes, em particular da geração que iniciou a formação durante a pandemia e atravessou a implementação de um novo currículo, apelou à valorização do conhecimento, da curiosidade científica e da dimensão humana da profissão.
Num contexto de crescente utilização da inteligência artificial, a docente defendeu que a tecnologia deve ser integrada sem substituir a inteligência, a empatia e a capacidade de cuidar. Deixou ainda um apelo à defesa do tempo necessário para uma prática clínica mais humana: «Peço-vos que luteis pelo tempo. O vosso tempo para viver, o vosso tempo para pensar, o vosso tempo para cuidar de forma humana, mas também o tempo de quem vos procura para ser cuidado.»
A presidente do Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade do Minho (NEMUM), Ana Rita Peixoto, assinalou, por sua vez, os 23 anos da estrutura, que representa atualmente mais de 850 estudantes. Destacou os progressos na formação médica, nomeadamente o desenvolvimento da simulação clínica e a aproximação à realidade dos cuidados de saúde, mas lembrou que persistem desafios relacionados com a saúde mental, as condições de formação e o futuro da profissão.
Entre as preocupações identificadas, salientou os custos de alojamento associados à realização de estágios clínicos, que podem constituir uma barreira económica e geográfica para os estudantes. «Uma barreira económica real, geográfica e desproporcional que continuamos empenhados em mitigar para que o mérito nunca seja condicionado pela distância», afirmou.
Ana Rita Peixoto destacou ainda o lançamento da rede de antigos dirigentes do NEMUM, iniciativa que pretende preservar a ligação entre as diferentes gerações que contribuíram para a história do núcleo e reforçar a continuidade do trabalho de representação estudantil.
A sessão comemorativa incluiu momentos de reconhecimento dos recém-graduados e de distinção de membros da comunidade académica pelo seu percurso e contributo para a Escola. A música esteve presente com a atuação de Gonçalo Rebelo, aluno da ARTAVE, e da Tuna de Medicina da Universidade do Minho, que acompanhou o corte do bolo de aniversário.
Ao celebrar 26 anos, a Escola de Medicina reafirma, assim, a ambição de continuar a articular formação de excelência, investigação científica e inovação, reforçando a ligação entre a Universidade, os profissionais de saúde e a sociedade. Um percurso que se constrói também com os estudantes e com as novas gerações de médicos, chamados a responder aos desafios científicos, tecnológicos e humanos da medicina.
Atualizado a 09-10-2026 13:00
