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I3Bs entra num novo ciclo sob liderança de Rui L. Reis

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I3Bs entra num novo ciclo sob liderança de Rui L. Reis

Ana Marques ⠿ 08-09-2026 18:00

Reconduzido para o mandato 2026-2030, o professor catedrático mantém-se à frente do instituto da UMinho que, há quase três décadas, tem colocado os biomateriais, a engenharia de tecidos e a medicina regenerativa no mapa da investigação internacional. O novo ciclo aponta para a continuidade, mas também para a abertura a novas áreas, como a inteligência artificial, e para o reforço do impacto da ciência.

Há 27 anos, Rui L. Reis fundava o Grupo de Investigação 3B’s. Hoje, a estrutura transformou-se num instituto com mais de 150 colaboradores, forte dimensão internacional e uma crescente ligação à inovação e à transferência de conhecimento. É neste percurso de continuidade, mas também de novos desafios, que se inscreve a recondução do professor catedrático na presidência do I3Bs – Instituto de Investigação em Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos da Universidade do Minho.

Rui L. Reis tomou posse para um novo mandato, até 2030, no dia 2 de setembro, numa cerimónia realizada no auditório do I3Bs, no Avepark, em Barco, Guimarães, que contou com a presença do reitor da UMinho, Pedro Arezes. A equipa que o acompanha integra a professora Natália Alves e os investigadores Joaquim Miguel Oliveira e Vítor Correlo, como vice-presidentes.

A recondução prolonga um projeto científico iniciado no final da década de 1990 e que se afirmou, entretanto, como uma referência na investigação em biomateriais, engenharia de tecidos e medicina regenerativa. O I3Bs integra atualmente o Grupo de Investigação 3B’s e o Grupo de Inovação e Serviços 3B’s, reunindo investigadores e profissionais de diferentes nacionalidades.

O novo mandato surge num contexto de rápida transformação científica e tecnológica, ao qual o I3Bs procura responder mantendo a sua identidade e, simultaneamente, explorando novas fronteiras de investigação. Rui L. Reis aponta a inteligência artificial como uma das áreas que já está a entrar no trabalho desenvolvido no instituto.

“Nós queremos transformar cada vez mais este Hub num sítio mais atrativo, mais interessante para fazer investigação nesta área da engenharia de tecidos, da medicina regenerativa, dos biomateriais, dos modelos de doença que produzimos para testar determinadas doenças mimetizando o que existe no corpo humano e também olhando para novas áreas que estão também a aparecer, como a IA.”

A integração de ferramentas digitais está já a permitir novas abordagens experimentais, com modelos que combinam materiais, células e informação digital. “Já estamos a fazer coisas em que temos modelos constituídos por materiais e células que têm informação digital no interior da própria experiência”, explica o investigador.

A aposta cruza-se com uma estratégia de internacionalização e de atração de talento, procurando reforçar o posicionamento do I3Bs como um espaço cada vez mais atrativo para fazer investigação nesta área.

Para o reitor da UMinho, Pedro Arezes, o futuro do I3Bs passa precisamente por acompanhar as transformações sem perder a sua matriz científica. “São vários desafios a acompanhar estas transformações e, portanto, não perder relevância naquilo que é a investigação de fundo do I3Bs, essa parece-me a base”, afirma.

A esta dimensão fundamental da investigação, o reitor acrescenta um segundo desafio: garantir que o conhecimento produzido se traduz em impacto efetivo na sociedade.

“Que seja uma investigação com impacto, hoje a sociedade espera isso da investigação, da ciência e, em particular, das universidades, que seja uma investigação com impacto e esse impacto tem várias dimensões, obviamente.”

Pedro Arezes sublinha ainda a necessidade de ultrapassar as fronteiras institucionais e aproximar a ciência da sociedade: “Ser uma investigação que não fica fechada nas paredes da universidade ou de um instituto.”

É nesta articulação entre investigação fundamental, inovação e impacto que se enquadra o novo ciclo do I3Bs, que procura consolidar a sua posição científica ao mesmo tempo que amplia as áreas e os modelos de investigação.

Professor catedrático da UMinho, Rui L. Reis doutorou-se em Ciência e Engenharia de Polímeros pela Universidade do Minho, onde viria também a desempenhar funções de vice-reitor. Fundou, há 27 anos, o Grupo de Investigação 3B’s, sendo atualmente diretor do laboratório associado ICVS/3B’s e CEO do Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa (EXPERTISSUES).

A dimensão do seu percurso científico ajuda a explicar a projeção alcançada pelo instituto. Considerado o cientista em Portugal mais citado no mundo, ultrapassa as 85 mil citações na plataforma ISI Web of Science e é coautor de mais de 2030 publicações científicas e de mais de 130 patentes. Várias destas patentes estiveram na origem da criação de empresas, reforçando a ligação entre investigação, inovação e transferência de conhecimento.

Ao longo da carreira, liderou numerosos projetos nacionais e internacionais, incluindo iniciativas financiadas pelo Conselho Europeu de Investigação, num financiamento global superior a 140 milhões de euros. O seu trabalho foi distinguido por instituições como a UNESCO, a Institution of Engineering and Technology, a Sociedade Europeia de Biomateriais, a Sociedade Americana de Biomateriais e a Sociedade Internacional para a Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa (TERMIS), que também presidiu.

É doutor honoris causa pelas universidades de Granada, em Espanha, e Politécnica de Bucareste, na Roménia, e membro da Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos e da Academia Europeia das Ciências. Em Portugal, foi distinguido como cidadão honorário de Guimarães, recebeu a Medalha de Mérito da cidade de Braga e a Medalha de Ouro do Ministério da Saúde, tendo sido ainda condecorado com a Ordem Militar de Santiago da Espada.

O I3Bs reúne, em média, mais de 150 colaboradores de diferentes nacionalidades e desenvolve investigação em áreas como novos materiais, libertação controlada de fármacos, engenharia de tecidos, medicina regenerativa, nanomedicina e isolamento e diferenciação de células estaminais.

O instituto acolhe ainda o EXPERTISSUES, com filiais em 13 países, e constitui a base do TERM Research Hub – Instituto Cidade de Guimarães, reforçando a sua dimensão internacional e a ligação entre ciência, inovação e aplicação.

Com a recondução de Rui L. Reis, o I3Bs dá continuidade a um projeto científico iniciado há quase três décadas. O desafio para o novo mandato será, nas palavras dos seus responsáveis, acompanhar as novas transformações da ciência, atrair talento e reforçar uma investigação que, sem perder a sua dimensão fundamental, seja cada vez mais capaz de gerar conhecimento, inovação e impacto na sociedade.

Atualizado a 08-09-2026 18:00