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Pedro Arezes tomou posse como 10.º Reitor da UMinho assumindo prioridades claras para o futuro

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Pedro Arezes tomou posse como 10.º Reitor da UMinho assumindo prioridades claras para o futuro

Ana Marques ⠿ 04-12-2025 16:00

Cerimónia no Salão Medieval destacou o legado da instituição, o compromisso com a comunidade académica e as prioridades estratégicas definidas para o novo ciclo reitoral.

A Universidade do Minho viveu ontem, dia 3 de dezembro, um momento marcante com a tomada de posse do seu 10.º Reitor, Pedro Arezes, para o mandato 2025-2029. A cerimónia encheu o Salão Medieval da Reitoria, reunindo docentes, investigadores, estudantes, antigos e atuais dirigentes, bem como representantes de várias instituições da região e do país.

A Presidente do Conselho Geral, Maria Assunção Raimundo, abriu a sessão sublinhando a relevância deste ciclo de liderança e destacando o percurso do novo Reitor: “O futuro da Universidade do Minho depende da dedicação, da experiência e da visão que cada Reitor e equipa reitoral trouxeram ao longo dos anos. Hoje, renovamos essa confiança e assinalamos a importância de todos os que contribuíram para o crescimento desta Instituição”. Recordou ainda que a eleição de Pedro Arezes, por maioria qualificada muito expressiva, “significa o reconhecimento de um percurso académico sólido, de uma profunda ligação à instituição e de uma visão para o futuro capaz de responder aos desafios do presente”.

Num momento de homenagem, evocou o contributo dos anteriores Presidentes do Conselho Geral e lamentou o falecimento de dois deles, Joana Marques Vidal e Álvaro Laborinho Lúcio, “cujas vidas e contributos permanecerão ligados à história desta Instituição e ao património cívico do nosso país”.

O Reitor cessante, Rui Vieira de Castro, agradeceu o trabalho desenvolvido ao longo de mais de uma década e meia de envolvimento na liderança da Universidade, afirmando que “foi uma enorme honra servir esta Universidade durante mais de uma década e meia”, num período marcado por desafios significativos que exigiram “esforço e serenidade”.

Na sua intervenção, Pedro Arezes apresentou uma visão centrada no humanismo, na inovação e na responsabilidade pública da Universidade. Recordou o seu percurso pessoal e académico, salientando o impacto que a instituição teve na sua vida: “Este percurso constitui, acima de tudo, um testemunho real do poder transformador da Universidade do Minho, da capacidade que esta Instituição tem de abrir horizontes, de criar oportunidades e de permitir que talentos e vocações se afirmem, independentemente das circunstâncias de partida”. E acrescentou: “A Universidade não determina necessariamente o carácter de quem a frequenta, mas abre portas para futuros que, sem ela, seriam inimagináveis”.

Sublinhou ainda que “o fio condutor de todas as estratégias que traçamos deve ser, sem dúvida, o humanismo”, reforçando que cada decisão deve “colocar a pessoa no centro, valorizando o conhecimento como instrumento poderoso de desenvolvimento e de transformação social”.

Face aos desafios atuais do ensino superior, adotou uma postura de oportunidade: “Vejo nesses desafios não apenas potenciais ameaças, mas sobretudo oportunidades inequívocas de transformação, ou seja, oportunidades para renovarmos práticas, repensarmos missões, redefinirmos prioridades e reforçarmos a importância social da Universidade”.

Afirmou que este é um momento em que “se exige presença, voz e responsabilidade institucional”, defendendo o envolvimento ativo da UMinho no debate nacional sobre ciência e ensino superior.

Pedro Arezes definiu a simplificação administrativa como “prioridade absoluta”, defendendo a implementação de “processos mais simples, sistemas de informação mais integrados e uma cultura institucional alicerçada na confiança”, com o objetivo de promover “uma Universidade mais ágil, mais internacional, mais democrática, mais próxima e mais transparente”.

No plano das infraestruturas, foi claro: “Temos de cuidar dos nossos campi, recuperar edifícios que revelam sinais de maior desgaste e modernizar infraestruturas que se tornaram obsoletas”. A sustentabilidade surge, assim, como eixo estratégico transversal.

A investigação foi assumida como prioridade estruturante: “A investigação é o coração intelectual da Universidade do Minho. Por isso, reafirmo a determinação em fortalecer a nossa capacidade científica, renovar equipas, valorizar toda a ciência e estimular abordagens interdisciplinares que nos permitam enfrentar desafios complexos”. Reforçou ainda a necessidade de “combater a precariedade, atrair e reter talento e reforçar a ligação da investigação à sociedade, à economia e ao desenvolvimento cultural da região e do país”.

O Presidente da Associação Académica, Luís Guedes, salientou a necessidade de reforçar as condições de vida dos estudantes, afirmando que “da Reitoria, os estudantes precisam de sinais que vão de encontro às suas aspirações, em todas as dimensões de atuação”. Apontou problemas urgentes, referindo que “o serviço de transportes está subfinanciado, apresentando um forte encargo anual para a AAUM”, que as cantinas estão “por vezes sobrelotadas” e que as residências existem “em diversos estados de degradação”.

Lembrou também que “os espaços de convívio mantêm-se praticamente inexistentes” e que instalações desportivas “atingiram níveis de degradação tais que inviabilizaram a sua utilização”. E concluiu com um apelo a um novo ciclo de ambição: “Podemos, mais ainda, devemos, e em cada novo ciclo existe uma oportunidade para sonhar mais alto, exigir mais resultados, trabalhar e contribuir mais com vista a uma conquista comum”.

A cerimónia contou com a presença de representantes de instituições académicas, municipais e regionais, incluindo reitores, presidentes de institutos politécnicos, o presidente da CCDR-Norte e o arcebispo primaz de Braga. Foram também empossados os vice-reitores António Salgado, Cristina Dias, João Cardoso Rosas e Nuno Castro, bem como os pró-reitores Raul Fangueiro, Lígia Rodrigues, Sandra Fernandes, Tiago Miranda e Carlos Videira.

Pedro Arezes encerrou com um apelo à ação conjunta: “A Universidade não se transforma apenas por decretos ou por programas de ação. Transforma-se sobretudo pela vontade coletiva das pessoas que a constroem todos os dias”. E concluiu: “Vamos cumprir a sua missão, juntos. E que, ao fazê-lo, possamos honrar o passado, transformar o presente e, acima de tudo, inspirar o futuro”.

Atualizado a 04-12-2025 16:00