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Prémio UMinho distinguiu 16 estudantes e celebrou a curiosidade científica

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Prémio UMinho distinguiu 16 estudantes e celebrou a curiosidade científica

Ana Marques ⠿ 12-10-2026 15:00

A 7.ª edição do Prémio UMinho de Iniciação na Investigação Científica aproximou estudantes de licenciatura e mestrado integrado da investigação desenvolvida na Universidade. Cristina Dias e António Salgado destacaram a importância de questionar, experimentar e participar na produção de conhecimento.

A Universidade do Minho distinguiu 16 estudantes no âmbito da 7.ª edição do Prémio UMinho de Iniciação na Investigação Científica, numa cerimónia que decorreu a 9 de outubro, no campus de Gualtar, em Braga. A iniciativa reconhece o trabalho desenvolvido por estudantes de licenciatura e mestrado integrado que, ao longo dos últimos meses, tiveram oportunidade de integrar equipas de investigação, desenvolver projetos e apresentar os resultados alcançados.

Na sessão de abertura, a vice-reitora para a Educação e Organização Académica, Cristina Dias, sublinhou a importância de uma formação universitária que não se limite à transmissão de conhecimento, mas que envolva os estudantes na sua construção.

“Ensino e investigação não são missões separadas”, afirmou, defendendo a relevância de criar oportunidades para que os estudantes participem ativamente na produção de conhecimento. Nesse sentido, a iniciação científica representa uma oportunidade para passarem de uma posição de aprendizagem para uma experiência de participação na investigação.

A responsável salientou ainda que investigar implica saber formular perguntas, experimentar, analisar e interpretar resultados, mas também lidar com o erro e com a incerteza. Para além dos conhecimentos científicos adquiridos, esta experiência permite desenvolver autonomia e pensamento crítico. Como destacou, "A universidade precisa de estudantes que façam perguntas difíceis".

Projetos que cruzam diferentes áreas do conhecimento

Os projetos apresentados nesta edição evidenciaram a diversidade temática e a interdisciplinaridade da investigação desenvolvida na Universidade do Minho. Entre os trabalhos estiveram questões relacionadas com a responsabilidade pelos danos causados pela inteligência artificial no contexto laboral, as influências interlinguísticas na fala, a utilização de fotografias na promoção do bem-estar, o desenvolvimento de uma aplicação para a distribuição de veículos no combate a incêndios e a literacia emocional junto da população idosa.

Foram também abordados temas como as políticas do medo, os ecomateriais aplicados a janelas inteligentes, a diplomacia cultural soviética e a resposta imunitária à lesão medular.

A diversidade dos projetos demonstrou como a investigação universitária abrange áreas distintas, da Engenharia e da Inteligência Artificial às Ciências Humanas e Sociais, à Biomedicina e ao Direito, permitindo aos estudantes contactar com problemas concretos e diferentes formas de produzir conhecimento.

Para António Salgado, vice-reitor para a Investigação e Política Científica, este contacto precoce com a investigação permite aos estudantes conhecer os processos científicos por dentro, experimentar metodologias e perceber se esta poderá ser uma área a seguir no seu percurso académico e profissional.

O responsável destacou também o contributo que os estudantes podem dar às próprias equipas de investigação, através de perspetivas novas e perguntas inesperadas. Numa entrevista à RUM, explicou: "Muitas vezes obrigam-nos a pensar os problemas de forma diferente porque fazem perguntas em que, por estarmos na área e, eventualmente, por termos um pensamento mais orientado para uma determinada área em que estejamos a trabalhar, nunca nos lembramos, por exemplo”.

Uma experiência que vai além do prémio

A sessão contou ainda com uma intervenção de Gabriela A. Silva, antiga estudante da Universidade do Minho e atualmente professora e investigadora na NOVA Medical School. Sob o tema «Do Minho aos Estados Unidos, ao Algarve e a Lisboa: 20 anos de PIICs», partilhou o seu percurso académico e científico, marcado por diferentes instituições e experiências de investigação.

Natural de Arcos de Valdevez, Gabriela Silva licenciou-se em Biologia Aplicada e concluiu o mestrado em Genética Molecular e o doutoramento em Ciência e Tecnologia de Materiais na Universidade do Minho. Desenvolveu posteriormente atividade de pós-doutoramento na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e trabalhou na Universidade do Algarve. Atualmente, dedica-se à investigação de terapias genéticas para doenças oculares.

Na sessão de encerramento, António Salgado refletiu sobre o significado de fazer ciência e sobre aquilo que os estudantes podem levar desta experiência, independentemente das escolhas que venham a fazer no futuro. A investigação não se resume à aplicação de técnicas ou à obtenção de resultados: exige formular hipóteses, definir métodos, interpretar dados, reconhecer limitações e, muitas vezes, reformular as perguntas iniciais.

O vice-reitor lembrou que esta experiência pode confirmar uma vocação, despertar novas questões ou até ajudar a perceber que determinada área não corresponde aos interesses de cada estudante. Em qualquer dos casos, as competências desenvolvidas serão úteis para além da investigação científica.

“A ciência não se faz apenas de resultados vencedores. Faz-se sobretudo de curiosidade, persistência, capacidade de aprender e vontade de continuar a fazer perguntas”, afirmou.

O valor da iniciação científica não se mede apenas pelos resultados alcançados ou pela distinção recebida. Mede-se também pelas competências desenvolvidas ao longo do processo, como a capacidade de questionar, procurar evidências, lidar com a incerteza e aprender com os próprios resultados — ferramentas importantes tanto para quem pretende seguir uma carreira científica como para quem vier a escolher outros caminhos profissionais.

A iniciativa é promovida anualmente pela Reitoria da Universidade do Minho, em articulação com os centros de investigação, com o objetivo de aproximar os estudantes da investigação científica e proporcionar-lhes contacto com equipas, metodologias e desafios reais. O prémio reconhece o trabalho desenvolvido e o envolvimento dos estudantes numa experiência que contribui para a sua formação académica e pessoal.

Estudantes distinguidos

Atualizado a 12-10-2026 16:00