UAUM instala-se no Convento de São Francisco e reforça ligação entre arqueologia e cidade
Ana Marques ⠿ 25-11-2025 11:00
Nova sede da Unidade de Arqueologia da UMinho abre portas em Braga, integrando investigação, ensino e serviço educativo num edifício recentemente reabilitado.
A Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (UAUM) instalou-se esta segunda-feira, dia 24 de novembro, no Convento de São Francisco, em Real, Braga, marcando um novo capítulo na investigação e na valorização do património arqueológico. A cerimónia contou com a presença do Reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, do Presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, e da Diretora da UAUM, Maria do Carmo Ribeiro.
O edifício, intervencionado pelo Centro de Estudos da Escola de Arquitetura, Arte e Design da UMinho e assinado pela arquiteta Maria Manuel Oliveira, recebeu recentemente o prémio de Reabilitação nos Prémios do Imobiliário da SIC Notícias e do Jornal Expresso. O investimento de 2,5 milhões de euros permitiu criar exposições permanentes e temporárias, um circuito de visita interpretada e condições para o serviço educativo, devendo o espaço acolher futuramente o Polo Arqueológico do Cávado.
O Reitor destacou a complexidade do projeto, afirmando que “foi um processo difícil para a Universidade, foi um processo difícil para a Câmara, que encontrou vários obstáculos”. Segundo Rui Vieira de Castro, a intervenção não correspondeu à ideia inicial, que previa um bloco adjacente, mas foi concretizada graças à persistência de todos os envolvidos. A Universidade envolveu-se no projeto por reconhecer o valor histórico do edifício e a tradição da UAUM em projetos de salvamento patrimonial. “A Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho é uma sequência daquilo que foi o envolvimento direto da Universidade (…) de salvamento da Bracara Augusta”, explicou.
O Reitor lembrou o estado crítico do convento antes da intervenção, sublinhando que “parte destas paredes eram sustentadas por árvores que aqui estavam e que já eram a sustentação principal dessas mesmas ruínas”, e explicou que foi necessário ajustar a propriedade do edifício para que a Câmara pudesse candidatar-se a financiamento da CCDRN. Apesar dos desafios, a intervenção preservou a história do espaço e preparou-o para múltiplas utilizações, incluindo exposições e visitas interpretadas. Rui Vieira de Castro salientou que a instalação da UAUM no convento representa “um ponto de chegada (…) que é também um momento de partida para outras coisas que ainda há para fazer”, como o futuro Polo Arqueológico da CIM Cávado.
O Presidente da Câmara Municipal de Braga destacou a excelência arquitetónica e histórica da reabilitação, considerando que “este é, para mim, do ponto de vista qualitativo, salvo a redundância, o mais qualificado deles todos. Eu acho que o edifício é belíssimo, traz consigo uma história belíssima, e a forma como foi intervencionado (…) é muito importante”. João Rodrigues recordou o investimento realizado pelo município, afirmando que “o investimento andou à volta dos 2,5 milhões de euros, desses, 750 mil euros são financiados, todo o resto foram capitais próprios do município”. O autarca realçou ainda o mérito da UAUM, que “não só pelo trabalho que fez, mas também por aquilo que simboliza numa cidade com mais de 2000 anos”, e reforçou a importância de abrir o convento à população: “Que quem passe não olhe para o convento do lado de fora como algo que lhe é absolutamente estranho. Que as pessoas possam usufruir do espaço, porque não só justificamos o investimento que cá fizemos, como damos esse ganho às pessoas”.
Criada em 1976, a UAUM é uma das oito unidades culturais da Universidade do Minho e tem desempenhado um papel central na investigação arqueológica, na preservação patrimonial e na formação académica, sobretudo no Minho e no Norte de Portugal. A unidade participa em colaborações nacionais e internacionais, desenvolve projetos desde a Pré-História e apoia cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento em Arqueologia e História. A instalação no Convento de São Francisco permite reforçar a sua missão de investigação, divulgação e aproximação à comunidade, num espaço histórico reabilitado com rigor e qualidade.
Atualizado a 25-11-2025 12:00
