UMinho celebrou a jubilação de Pedro Rangel Henriques e José Nuno Oliveira
Ana Marques ⠿ 18-11-2025 15:00
Cerimónia assinalou mais de quatro décadas de contributos decisivos para a Engenharia Informática.
Os professores catedráticos Pedro Rangel Henriques e José Nuno Oliveira, do Departamento de Informática da Escola de Engenharia da Universidade do Minho (EEUM), despediram-se na passada sexta-feira da docência com a cerimónia de jubilação que reuniu colegas, estudantes, familiares e amigos no auditório A1 do campus de Gualtar, em Braga. O momento marcou o reconhecimento público de carreiras com mais de 40 anos dedicadas ao ensino e à investigação em Engenharia Informática.
A sessão contou com intervenções do reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro, e do presidente da EEUM, António Vicente, além de testemunhos de académicos e antigos estudantes. Na sua intervenção, o reitor sublinhou que “as cerimónias de jubilação são momentos altos da vida da Universidade”, onde se celebra “a própria ideia da Universidade como comunidade que se reconhece naqueles que a servem com dedicação, inteligência e sentido de missão”.
Rui Vieira de Castro destacou ainda o impacto dos homenageados na afirmação da instituição: “A Universidade é hoje mais forte porque pôde contar convosco. O Departamento de Informática e a Escola de Engenharia são mais prestigiados porque se desenvolveram sobre alicerces que ajudaram a erguer.” Para o reitor, a jubilação simultânea dos dois docentes, numa altura em que a Engenharia Informática se prepara para celebrar 50 anos, “confere a esta sessão um significado particularmente especial”.
Sublinhou também o papel estruturante da área na UMinho: “Em quase cinco décadas, a Engenharia Informática transformou-se num espaço de formação de grande qualidade, um pólo gerador de conhecimento e um fator de transformação tecnológica com forte impacto nacional e internacional.”
A cerimónia incluiu ainda a última lição de ambos os professores — um momento simbólico que, disse o reitor, “representa a força da tradição académica, o diálogo entre passado, presente e futuro e a permanência de ideias e valores”. No final, expressou “a mais profunda gratidão pela dedicação de uma vida, pela formação de gerações de profissionais e investigadores e pela forma exemplar como sempre entenderam e concretizaram a missão da Universidade”, desejando-lhes as maiores felicidades nesta nova etapa.
Sessão contou com vários testemunhos
Entre os testemunhos partilhados, destacou-se o de uma antiga estudante que atribuiu aos dois docentes o início da sua vocação científica. “Andei três anos sem saber se este era o caminho certo para mim”, recordou, sublinhando que foi com Pedro Rangel Henriques que encontrou o entusiasmo inicial pela área: “As suas aulas eram um espetáculo — via-se que acreditava no que estava a dizer. Era uma experiência extraordinária.”
O momento determinante, porém, surgiu noutra unidade curricular: “Tive uma cadeira com o professor Oliveira e foi aí que se fez o clique: é isto que eu quero seguir.” A antiga aluna reforçou ainda o papel estruturante do docente na consolidação dos métodos formais em Portugal: “O professor Oliveira é um pioneiro nos métodos formais e na defesa do rigor matemático no desenvolvimento de software.” Acrescentou que, na altura, seguir esta área implicava permanecer ligado à academia: “Os métodos formais quase não tinham espaço na indústria, por isso percebi que teria de seguir investigação — e foi graças a eles que tomei essa decisão.”
Outro testemunho evocou o impacto emocional das aulas de José Nuno Oliveira, comparando-o à intensidade estética descrita por Albert Einstein após ouvir Yehudi Menuhin. “Houve momentos nas aulas do José Nuno em que senti exatamente isso”, relatou. “Uma aula deixava de ser apenas uma aula — era um exemplo, uma experiência que fica, porque ensinava com a cabeça e com o coração.” Realçou ainda a “docência exemplar, cristalina, quase estética” do professor, bem como o equilíbrio raro entre rigor científico e humanidade: “Uma coisa é defender o rigor e a crítica própria da ciência; outra é fazê-lo com empatia e sentido estético. Não me lembro de outras aulas onde tivesse sentido o que sentia nas dele. Eram aulas com alma”, expressou.
Percursos que marcaram gerações
José Nuno Oliveira, 70 anos, natural de Esposende e residente em Vila Verde, é docente da UMinho desde 1978. Licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade do Porto e mestre e doutorado pela Universidade de Manchester, foi pioneiro dos métodos formais em Portugal e investigador do HASLab/INESC TEC. Presidiu ao Comité de Prémios da Associação Europeia de Métodos Formais e cofundou a Associação ENSICO, hoje com mais de 7000 alunos envolvidos em projetos de ensino da informática.
Pedro Rangel Henriques, também de 70 anos, é natural do Porto e vive em Braga. Docente da UMinho desde 1981, é doutorado em Linguagens Formais e Gramáticas de Atributos e investigador do Centro Algoritmi e do laboratório LASI. Coordenou grupos de investigação, orientou cerca de 150 teses de pós-graduação, publicou mais de 200 artigos e foi presidente da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial, tendo liderado vários projetos científicos e de consultoria.
A Engenharia Informática na UMinho, prestes a celebrar 50 anos, consolidou-se como área de excelência reconhecida dentro e fora do país, com forte ligação à indústria, produção científica relevante e diplomados em posições de destaque na academia, na indústria e em organismos públicos internacionais.
Atualizado a 18-11-2025 16:00
