UMinho distinguiu jovens investigadores com Prémio Victor de Sá
Ana Marques ⠿ 13-04-2026 17:00
Edição de 2025 premiou estudo sobre o PCP e atribuiu menção honrosa a investigação sobre sindicalismo anticolonial em Angola.
O investigador André Costa Pina foi distinguido com o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2025, o mais prestigiado galardão nacional destinado a jovens investigadores nesta área. A cerimónia decorreu a 10 de abril, no salão nobre da Reitoria da Universidade do Minho (UMinho), em Braga, reunindo responsáveis académicos e investigadores.
A distinção, atribuída pelo Conselho Cultural da UMinho, premiou a obra “Os primeiros comunistas portugueses: A estruturação do Partido Comunista Português (1921-1943)”, desenvolvida no âmbito do doutoramento em Sociologia da Universidade do Porto.
O estudo analisa o período entre a receção da Revolução Russa e o III Congresso do PCP, em 1943, recorrendo a uma abordagem prosopográfica baseada na análise coletiva das biografias de 1671 militantes. O trabalho evidencia um espaço marcado por ambivalências, conflitos e múltiplas interpretações do comunismo no contexto português.
O prémio, no valor de 3500 euros, distingue uma investigação que cruza sociologia, história e ciência política, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento sobre a organização do Partido Comunista Português na sua fase inicial.
Foi igualmente atribuída uma menção honrosa a André Ribeiro Fernandes, pela dissertação “O Sindicalismo Anticolonial em Angola, o Império Português e a Questão da Representação Internacional (1960-1973)”, realizada na Universidade do Minho. O estudo analisa o papel de sindicatos angolanos na contestação ao colonialismo português e na afirmação da autodeterminação no contexto laboral e político do período final do império.
A sessão foi presidida pelo reitor da UMinho, Pedro Arezes, que destacou o significado da iniciativa como expressão da “vitalidade cultural e científica” da academia.
O responsável sublinhou ainda a importância de preservar o legado de Victor de Sá, que descreveu como “uma referência exigente, marcada pela integridade intelectual, pela defesa da liberdade e pelo apoio às novas gerações de investigadores”, acrescentando que o prémio continua a projetar esse contributo no panorama científico nacional.
Na sua intervenção, agradeceu às instituições envolvidas na continuidade da iniciativa e ao júri “pelo rigor, independência e dedicação” no processo de avaliação, dirigindo também palavras aos investigadores distinguidos, cujo trabalho considerou um contributo relevante para o avanço do conhecimento histórico e para o debate público.
A presidente do Conselho Cultural da UMinho, Manuela Ivone Cunha, referiu-se ao galardão como o “mais prestigiado prémio de História a nível nacional”, destacando a importância do pensamento crítico e da defesa da democracia e da liberdade associados ao legado de Victor de Sá.
A cerimónia incluiu ainda a tomada de posse dos novos membros do Conselho Cultural da UMinho, órgão de consulta sobre as políticas culturais da academia, que integra responsáveis de instituições culturais da região, entre os quais representantes da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Casa das Artes de Famalicão, Museu dos Biscainhos, Sociedade Martins Sarmento, Faz Cultura, ASPA, Museu D. Diogo de Sousa, CCVF, associação Muralha e Instituto Confúcio.
Instituído há 34 anos por iniciativa do historiador Victor de Sá (1921-2004), o prémio resulta de uma doação à Universidade do Minho e é reconhecido como de manifesto interesse cultural, tendo distinguido ao longo das suas edições vários investigadores que se tornaram referências na historiografia portuguesa contemporânea.
Atualizado a 13-04-2026 17:00
